País está "encabrestado" pelos juros, diz José Alencar

O vice-presidente José Alencar voltou a criticar as elevadas taxas de juros existentes no País, em seminário de integração dos países sul-americanos, que acontece de hoje até sexta-feira no BNDES no Rio. "O país está encabrestado. Temos uma dívida brutal atrelada a taxas de juros que chegam a ser 20 vezes maiores do que as que existem nos países vizinhos e no continente europeu. Não podemos sair da pobreza sem rever esta taxa de juros", disse o vice-presidente, ao final de seu discurso, em que tentou se conter ao tema da integração entre o Brasil e seus vizinhos rumo ao desenvolvimento econômico. O vice-presidente reiterou que, ao criticar a dívida brasileira atrelada aos juros, não estava defendendo o rompimento de contratos pré-estabelecidos e o compromisso com o Fundo Monetário Internacional (FMI), mas sim salientando a importância da geração de empregos e aumento do saldo da balança comercial como aspectos fundamentais para o Brasil "encontrar seu desenvolvimento". Casas popularesJosé Alencar fez defesa inflamada da criação de um programa de construção de um milhão de casas populares como sendo uma solução para o problema dos sem-teto. Segundo ele, o Brasil tem recursos para isso. "Seria um custo em torno de R$ 15 mil por unidade, que comprometeriam apenas 1% do PIB nacional, mas que gerariam empregos em cascata", justificou. Ele comparou esse gasto ao que foi dispendido com juros ao sistema financeiro, em torno de 10% do PIB. Em entrevista logo após sua apresentação, o vice-presidente disse que as casas seriam financiadas pelos organismos do governo e pagas em prazos de 30 anos, a R$ 50 por mês. "O presidente Lula conhece a idéia e aprova", afirmou. José Alencar está, neste momento, acompanhando a apresentação do vice-presidente da CAF, Antonio Juan Sosa. O vice-presidente deve conceder entrevista logo depois.Infra-estruturaSeguindo as mesmas linhas da apresentação feita pelo presidente do BNDES, Carlos Lessa, José Alencar defendeu investimentos maciços em infra-estrutura nos próximos anos como principal ponto de alavancagem da integração entre os países da América do Sul em busca de seu desenvolvimento. Alencar comentou a falta de logística em alguns setores nacionais. Ele comparou a existência de apenas 64 unidades de transferência e armazenagem de carga em transporte hidroviário no Brasil hoje às 1.137 existentes nos Estados Unidos. "Isso é apenas um exemplo da enorme distância que existe entre o nosso país e um país desenvolvido."O vice-presidente também defendeu a interligação dos países para que cada um deles possa aproveitar as saídas para o Atlântico e para o Pacífico. "Hoje, diferentemente dos Estados Unidos, nenhum dos países da América dos Sul possui saídas para os dois oceanos e isso traz uma dificuldade de comércio exterior", considerou.

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