País está maduro para formalizar autonomia do BC, diz Fraga

Ex-presidente do BC frisa, porém, que mudança na instituição não deve permitir 'devaneios e loucuras'

Fabio Graner, da Agência Estado,

12 de junho de 2008 | 13h03

O economista Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central, afirmou há pouco que o Brasil já tem maturidade para formalizar a autonomia operacional do Banco Central. "O tema está maduro. É preciso fazer uma revisão do arcabouço legal", disse Fraga. Segundo ele, a independência da autoridade monetária não é, por si só, "uma mágica". Ele destacou que países com banco central independente, como México e Argentina, vivenciaram crises sérias. O México, por exemplo, enfrentou uma séria crise em 1995. Já a Argentina, enfrentou dificuldades 2001. Para Armínio Fraga, a autonomia do Banco Central não deve significar uma regra que permita "devaneios e loucuras". Ele ressaltou que o presidente da autoridade monetária pode ser retirado em caso de flagrante desrespeito ao objetivo definido pela sociedade. "Acredito que estamos maduros, e seria positivo tomarmos esta decisão. Faria um bem enorme ao Brasil", disse. Em seminário sobre Política Monetária na Comissão de Finanças e tributação da Câmara, o ex-presidente do BC defendeu a idéia de o Brasil avance mais na questão fiscal, cujo alvo, segundo ele, deve ser o controle do ritmo de crescimento do gasto público. "Eu vejo que estamos chegando no limite e isto é um obstáculo para o crescimento econômico", afirmou. Na sua avaliação, o enfrentamento da questão do gasto público vai permitir que o Brasil trabalhe com taxas de juros menores no futuro, passando este período de dificuldades por causa da recente alta da inflação. Fraga disse também que o Brasil deve continuar trabalhando com o índice cheio de inflação para cumprir suas metas. Comentou que boa parte da situação mundial de alta dos preços pode ter sido causada porque os BCs se preocuparam mais com os núcleos de inflação do que com as taxas plenas. Afirmou ainda, aos deputados, que em momento de choque de oferta, em que os preços sobem e a atividade cai, a cartilha que ele acredita manda que se trabalhe com um pouco de mais tempo para se trazer a inflação de volta à meta. E destacou: "a inflação tem sempre que estar convergindo para a meta. É importante que não haja viés por parte do Banco Central".

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