País está menos vulnerável a crises externas, avalia economista

O economista-chefe do Unibanco, Marcelo Salomon, concorda com o avaliação do banco americano JP Morgan de que o Brasil é menos vulnerável a crises externas do que outros países emergentes, pois adotou políticas mais consistentes. O banco traçou um cenário considerando a hipótese de os investidores voltarem seus recursos para os EUA, circunstância em que o JP Morgan crê que o Brasil não seria tão atingido. "Isso porque o governo vem fazendo desenvolvendo esforços para melhorar o perfil da dívida externa, diminuir a dívida dolarizada e também diminuir o passivo externo como um todo", avalizou o economista do Unibanco em entrevista ao Conta Corrente, da "Globo News". "As empresas têm menos dívidas hoje."Marcelo Salomon opina que o Brasil atravessa o momento mais favorável para, eventualmente, dispensar um novo acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Porém, se decidir assim, terá assegurado uma espécie de caução. "Sairia como um seguro muito barato que o Brasil poderia contar para tempos de maior carência de capital no futuro", disse o economista. "Agora, se existe um momento no tempo em que o Brasil poderia se desvencilhar de um acordo com o FMI seria agora. Realmente, os fundamentos brasileiros estão muito melhor alinhados hoje do que estavam no passado.""A política monetária já começa a surtir efeito", ponderou Salomon comentando os resultados da elevação dos juros sobre a redução da produção industrial, principalmente nos setores mais sensíveis a crédito. Porém, ele ressalvou que ainda faltam dados mais consistentes para firmar uma tendência de arrefecimento desses grupos. O economista previu que o Banco Central (BC) deverá estabilizar os juros, de abril até agosto, quando a instituição poderá retomar a política de cortes da Selic.O crescimento econômico neste ano não vai ser tão bom como em 2004, opinou Marcelo Salomon, fazendo coro com a opinião majoritária no mercado, que prevê uma desaceleração da economia. "O crescimento de 5,2% não vai ser repetido, com uma política monetária mais apertada, trazendo a inflação para baixo", previu. Mesmo assim, ele ressalva que as exportações têm surpreendido positivamente os analistas. "Mesmo com a taxa de juros média mais alta do que no ano passado, a gente está mantendo o nosso crescimento de 3,7%, muito próximo do crescimento que o Ipea divulgou, de 3,5%."A valorização do real em comparação com o dólar, segundo ele, embora não seja positiva para o crescimento das exportações, não deverá provocar maiores prejuízos às vendas do País. "Uma contração para valer das exportações brasileiras eu acho que não vai acontecer", frisou Salomon. Ele lembrou que os preços de commodities vêm se elevando e as exportações brasileiras, mas especialmente os manufaturadas, vêm crescendo, apesar de os preços estarem constantes. "O que a gente vê é que existe uma nova mentalidade do exportador brasileiro, que não está sendo afugentado pelo câmbio. Eu acho que a gente vai continuar vendo bons resultados da balança comercial ao longo de 2005."

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