Ueslei Marcelino/Reuters
Ueslei Marcelino/Reuters

País está preparado para volatilidade nos mercados globais, afirma Levy

Em Washington, ministro nega rumores de saída do governo e diz que governo vai enviar ao Congresso uma proposta orçamentária ‘robusta’

Cláudia Trevisan , O Estado de S. Paulo

24 de agosto de 2015 | 22h05

WASHINGTON - O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, disse nesta segunda-feira em Washington que o período de volatilidade nos mercados globais era esperado pelo governo e que o Brasil está preparado para enfrentá-lo. “Nós já vimos esse filme antes”, disse o ministro, ressaltando que os fundamentos da economia devem estar sólidos para o enfrentamento da turbulência internacional.

Segundo ele, parte desse esforço deve se refletir no envio ao Congresso de uma proposta orçamentária “robusta”, que dê confiança de que o governo cumprirá a meta de superávit primário para 2016 e terá recursos para cobrir suas despesas obrigatórias. Levy disse que não haverá aumento da Cide (imposto que incide sobre a comercialização de combustíveis), mas não descartou a possibilidade de elevação de outros tributos para geração de receita no próximo ano. “Estamos avaliando todas as alternativas. Temos de ter o Orçamento mais robusto possível.” 

O ministro observou que é preciso ter disciplina nas despesas para minimizar a necessidade de aumento de impostos. Também defendeu a necessidade de reforma do Estado, de criação de uma gestão pública mais eficiente e de definição de despesas obrigatórias que não “asfixiem o governo”.

Levy negou rumores de que estaria prestes a sair do governo. “A permanência no cargo não está em discussão, tem muita tranquilidade.” As especulações foram alimentadas por sua viagem a Washington, onde vivem sua mulher e suas duas filhas, no momento que o governo anunciou a extinção de 10 dos 39 ministérios. O ministro chegou no sábado à capital americana e disse ter participado no sábado, domingo e nesta segunda-feira de videoconferências com a presidente Dilma Rousseff e o ministro Nelson Barbosa. Entre outros temas, foram discutidos a proposta orçamentária de 2016 e a redução de ministérios anunciada nesta segunda-feira. Levy estimou a economia da reforma em “muitos milhões”, mas não precisou valores. 

“A presidente Dilma teve a gentileza de me permitir vir aqui porque, vocês sabem, minhas filhas moram aqui, tem uma que vai passar um ano na China. Eu vim me despedir dela, dar um pouquinho de carinho. A gente também é pai”, afirmou Levy, que embarca hoje de volta ao Brasil.

Principal fonte das incertezas que assombram os mercados globais, a situação da China está sendo acompanhada com “bastante atenção” pelo governo, disse. O ministro ressaltou que o país asiático passa por uma transição necessária de um modelo de crescimento excessivamente impulsionado por investimentos para outro dependente de mecanismos “mais tradicionais” de demanda.

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