Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Tenha acesso ilimitado
por R$0,30/dia!
(no plano anual de R$ 99,90)
R$ 0,30/DIA ASSINAR
No plano anual de R$ 99,90

País foi à bancarrota 400 anos antes de Cristo

Como é um calote? A pergunta saiu em um dos principais jornais gregos em língua inglesa - o Athens News -, mas não se referia à Grécia, e sim à Argentina. Nos últimos meses, a imprensa, economistas e analistas gregos passaram a estudar o calote dado pela Argentina há dez anos para entender o que poderia ocorrer com sua própria economia.

ATENAS, O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2011 | 03h07

Há poucas semanas, o ex-ministro argentino Domingo Cavallo foi convidado a fazer seminários na capital grega, justamente sobre a sua experiência no assunto calote. Hoje, o tamanho da dívida grega é cinco vezes maior do que a da Argentina em 2001. Mas há quem ainda trace um paralelo diante do fato de a Grécia e a Argentina não terem como desvalorizar suas moedas para ter maior competitividade. Hoje, Atenas vive sob as ordens monetárias da zona do euro. Em 2001, a Argentina também vivia uma situação similar diante do câmbio fixo com o dólar.

Até o ministro de Finanças da Grécia, Evangelos Venizelos, usou nesta semana o exemplo argentino.

"As pessoas pensam que crise é o que vivemos com cortes de pensões, mas isso não é a crise. A crise é o que a Argentina sofreu, com total colapso de sua economia", disse.

Em 2002, a economia argentina sofreu uma contração de 10%. Entre 2009 e 2012, a Grécia terá uma diminuição de seu PIB em cerca de 15%.

O mais irônico é que a Grécia não precisa usar a Argentina como modelo. Os gregos já viveram muitas crises ao longo da história. Quatro séculos antes de Cristo, dez cidades gregas foram à bancarrota e suspenderam o pagamento das dívidas a Delos, cidade do deus Apolo. Nos séculos 19 e 20, a Grécia voltaria a quebrar em diversas ocasiões. A diferença é que antes não fazia parte de uma moeda comum. / J.C.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.