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País foi da recessão à depressão, diz banco Goldman Sachs

O banco de investimentos americano traçou para o Brasil um cenário que ele mesmo qualificou como 'sombrio'

Alexa Salomão, O Estado de S.Paulo

02 Dezembro 2015 | 02h05

Em relatório divulgado nesta terça-feira, o banco de investimentos americano Goldman Sachs traçou para o Brasil um cenário que ele mesmo qualificou como "sombrio", dada a profundidade e a rapidez da deterioração econômica que se instalou no País.

"O ano que começou com uma recessão e a necessidade de ajustes, graças ao acúmulo de grandes desequilíbrios macroeconômicos, agora se transforma em uma franca depressão econômica", escreveu, logo no texto de abertura, Alberto Ramos, diretor do Grupo de Pesquisas Econômicas para América Latina do Goldman Sachs.

Segundo o relatório, a depressão da economia está bem caracterizada na forte retração do consumo interno. Seis dos últimos oito trimestres registraram forte contração da demanda e a tendência, projeta Ramos, é que essa retração ocorra não apenas no último trimestre deste ano, mas também entre pelo próximo ano.

O relatório, intitulado "Brasil: evoluindo de uma profunda recessão para uma depressão econômica", destaca que o resultado para o Produto Interno Bruto PIB) no terceiro trimestre "surpreendeu negativamente" e contribuiu para a piora das expectativas. O banco projeta uma queda de 3,6% para o PIB neste ano, acompanhada de uma forte contração de 6% na demanda interna. Para 2016, a estimativa é que o PIB sofra nova queda, de 2,3%.

Na avaliação de Ramos, a economia brasileira vai penar com uma conjunção de "fortes ventos contrários", vindo de todas as direções. O relatório detalha quais são os "ventos".

A perspectiva, segundo Ramos, é que o brasileiro enfrente arrocho no crédito, inflação alta, deterioração do mercado de trabalho, aumento de tarifas públicas e de impostos, o que tende a elevar o endividamento das famílias. Paralelamente, a expectativa é de estabilidade no preço internacional das (commodities) matérias-primas e de fraca demanda externa, o que dificulta a retomada da economia doméstica via aumento das exportações e deve elevar o nível de estoques nas empresas - em especial nas indústrias. Tudo isso acompanhado do aumento da incerteza política e uma generalizada falta de confiança, tanto dos consumidores para ir às compras, quanto dos empresários em relação ao desempenho de seus negócios.

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