País ganha norma de segurança alimentar

A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) concluiu uma das normas mais importantes já criadas no País para toda a cadeia que produz, manipula, fraciona, transporta e distribui ou entrega produtos alimentícios. Essa norma, de segurança alimentar, vai do campo à mesa dos brasileiros e entrou em vigor esta semana."A indústria de alimentos e a ABNT se uniram para produzir, em prazo recorde de seis meses, o sistema de gestão da Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle (APPCC)", disse o diretor-geral da ABNT, Valter Pieracciani. A rapidez para produzir a norma NBR 14900 decorreu da insistente cobrança dos consumidores, que, de acordo com o diretor da ABNT, cada vez mais mostram preocupação sobre questões ligadas à contaminação alimentar. Segundo Pieracciani, o princípio dessa norma técnica é auxiliar as organizações a tratar as etapas do processo e as condições de produção que são críticas para a segurança dos alimentos.O sistema APPCC foi desenvolvido nos anos 60 pela Nasa (agência espacial norte-americana) para que a comida dos astronautas não corresse o risco de contaminação, provocandoproblemas inesperados na tripulação das naves espaciais. Empresas de alimentos em vários países adotam o sistema com oobjetivo de melhorar o padrão de qualidade. "Trata-se de umametodologia pela qual é analisado o processo todo de manipulação e processamento de alimentos para identificar os pontos de possível contaminação e cuidar deles para que isso não ocorra", explicou o diretor da ABNT.Para garantir a venda de produtos no mercado internacional, as empresas brasileiras do setor de agronegócio terão, agora, de adaptar-se ao sistema de gestão. "Ao adotar essa norma, qualquer produtor ou indústria de alimentos receberá a certificação e poderá dizer ao mundo que tem o sistema APPCC" afirmou Pieracciani. De acordo com ele, hoje é quase impossível exportar um produto alimentício que não atenda a exigências de segurança de alimentos. "Mesmo aqueles produtos comercializados em barracas nas ruas poderão ser controlados em todas as suasetapas, da produção à venda", disse o executivo.A expectativa é de que até 2004 as grandes redes de supermercados exijam de seus fornecedores a implementação dosistema APPCC. "As normas no Brasil são de caráter voluntário.Mas, desde que foi criado o Código de Defesa do Consumidor, em 1990, elas se tornaram praticamente obrigatórias, principalmente na arena judicial, onde o consumidor exige e cobra", disse Pieracciani.Para os especialistas que participaram da elaboração da NBR 14900, como os representantes da Abia (Associação Brasileirada Indústria de Alimentos), Anvisa (Associação Nacional deVigilância Sanitária), Abras (Associação Brasileira de Supermercados), Nestlé, Danone, Sadia, Senac e Senai, entreoutros, o primeiro passo é identificar, dentro da cadeia produtiva do alimento, onde pode ocorrer contaminação ? por inseticidas nas plantações, hormônios ou antibióticos aplicados nos animais, falta de higiene na indústria ou riscos nos transporte, armazenagem e distribuição."Todos são pontos críticos que, a partir da sua definição, podem ser tratados e controlados", disse o diretor da ABNT. "A norma não tem apenas um caráter educativo, mas também de desenvolvimento. O pequeno sitiante, por exemplo, vai saber o que é gerenciar de forma segura. Mesmo que ele não atenda à norma, vai ter um horizonte, um parâmetro de comparação."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.