País gasta mais com importação de trigo este ano

Mesmo com volume importado 7% menor nos primeiros cinco meses do ano, gasto já é 29% maior em relação a 2010

Jane Miklasevicius, O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2011 | 00h00

Os gastos com importação de trigo no primeiro semestre vão superar os de 2010 em mais de 20%. Até maio, a despesa foi 29% maior, mesmo com uma queda de 7% no volume. Os preços internacionais vêm caindo, mas o Brasil praticamente não vê nenhum reflexo no que paga pela matéria-prima produzida na Argentina. Isso acontece porque, com a isenção da Tarifa Externa Comum (TEC), de 10%, a Argentina pode ter preços mais altos e ainda ser competitiva para o Brasil. "Para eles (argentinos) a conta a ser feita na hora de fixar o preço é: quanto custa aos moinhos brasileiros importar trigo de fora do Mercosul?", diz o diretor-presidente do Moinho Pacífico, Lawrence Pih. Segundo o executivo, a não ser que o trigo tenha forte desvalorização nas bolsas americanas, a Argentina terá preços sustentados até a entrada da safra nova, em novembro.

Até maio, os moinhos gastaram, segundo o Ministério da Agricultura, US$ 823 milhões na compra do cereal, considerando preço FOB, sem impostos, frete ou taxas portuárias. Nos cinco meses de 2010 o valor foi de US$ 634 milhões. Já o volume desembarcado totalizou 2,5 milhões de toneladas, 7% menor que os 2,7 milhões de toneladas recebidas no mesmo período de 2010.

Em maio, porém, o volume importado cresceu 30% em relação ao mesmo mês do ano passado, com a compra de 523,4 milhões de toneladas (443 mil toneladas da Argentina), ante 402 mil toneladas em 2010. A despesa cresceu 30%, totalizando US$ 183 milhões. Pih diz que a alta dos preços do trigo tem sido repassada aos da farinha, que subiram quase 10% nos últimos meses - o preço médio em São Paulo é de R$ 53/saca.

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