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País inicia ofensiva para exportar etanol

Governo e usineiros fazem ações conjuntas para construir uma imagem positiva do álcool no exterior

Lu Aiko Otta, O Estadao de S.Paulo

23 de fevereiro de 2008 | 00h00

O Brasil inicia este ano uma ofensiva para transformar em vendas o potencial do álcool, ou etanol, como produto de exportação. Apontado como alternativa aos derivados de petróleo, o combustível ainda patina na balança comercial. No ano passado, as vendas ao exterior foram de US$ 1,477 bilhão, 0,92% do total exportado pelo País."Nunca tive a ilusão de que o mercado fosse se abrir em dois ou três anos", disse ao Estado o presidente da União da Indústria de Cana de Açúcar (Unica), Marcos Jank. "Foi criada uma expectativa, mas o fato é que o mercado internacional não existe", acrescentou o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), Alessandro Teixeira. Unica e Apex querem criá-lo.Teixeira e Jank vão a Washington em março, para participar da Conferência Internacional de Energias Renováveis, promovida pelo Departamento de Estado. Haverá uma feira sobre o tema, na qual o Brasil vai exibir as vantagens do etanol de cana. Eles participam também da manhã de discussões sobre o futuro do acordo Brasil-Estados Unidos para biocombustíveis, promovidas pelo Instituto Woodrow Wilson.Em seguida, a dupla vai para Bruxelas, para o evento World Biofuels Markets. "Vamos mostrar a qualidade do etanol, seu potencial, e por isso escolhemos dois mercados importantes, onde temos possibilidade de entrar", explicou o presidente da Apex. Para este ano estão programados seis road-shows nos Estados Unidos, Europa e Ásia. Além disso, importadores serão convidados a visitar usinas no Brasil.A participação em feiras e conferências é um dos principais instrumentos para cumprir o objetivo da ofensiva, de construir uma imagem positiva do álcool brasileiro no exterior. "Não que a imagem do etanol seja ruim", explicou Jank. "Mas temos de comunicar ao mundo as nossas vantagens." Mostrar, por exemplo, que o uso do etanol reduz em 80% as emissões de gás carbônico e que, no Brasil, o álcool já é uma alternativa consolidada. Para Alessandro Teixeira, a promoção é importante porque o álcool brasileiro é confundido com outros tipos - como o de milho. "Principalmente nos países concorrentes, os formadores de opinião colocam todo o conjunto de etanol num balde só", disse. "Não está claro que o etanol brasileiro é de cana e por isso não concorre com a produção de alimentos.""Temos espaço para produzir o etanol sem competir com os alimentos ou com a preservação ambiental, ao contrário de outros países", afirmou Teixeira. Além disso, acrescentou, o álcool de cana é sete vezes mais produtivo que os concorrentes, de milho ou beterraba.COMBATE ÀS RESTRIÇÕES Outro foco da ofensiva é reduzir as resistências à exportação brasileira. "Nos Estados Unidos é aplicada tarifa de 50% sobre", disse Marcos Jank. A idéia é tentar influenciar o Congresso americano a tomar medidas contra a restrição ao comércio. Uma alternativa é buscar apoio em Estados favoráveis à importação do etanol de cana, como Flórida e Califórnia. O trabalho será coordenado pelo escritório da Unica em Washington. A entidade terá outros dois escritórios internacionais, em Bruxelas, com início de operações previsto para amanhã, e na Ásia. Ainda se discute se no Japão ou na China.Além das preocupações com o ambiente e a produção de alimentos, a exportação do etanol é afetada pela pequena quantidade de países produtores. Hoje, Brasil e EUA respondem por 70% da produção mundial. Os demais países relutam em adotar o combustível porque não querem ficar dependentes desses dois fornecedores. Por isso, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e George W. Bush assinaram no ano passado um acordo para incentivar outros países a produzir o etanol.A Apex contratou a Fundação Getúlio Vargas para fazer estudos de viabilidade sobre a produção na República Dominicana, Haiti, El Salvador e São Cristóvão e Neves. Os americanos fizeram o mesmo. Os resultados serão apresentados no mês que vem, em Washington, durante o encontro do Comitê de Direcionamento dos Biocombustíveis.

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