Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

País iniciou a 'subida da ladeira', diz Barbosa

Ministro diz a senadores que a expansão econômica começará no terceiro trimestre

CÉLIA FROUFE , NIVALDO SOUZA , ANNE WARTH, O Estado de S.Paulo

18 de março de 2015 | 02h04

BRASÍLIA - Em um dos piores momentos de relação política com o Congresso Nacional, o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, disse nesta terça-feira, 17, a senadores que o País passa por dificuldades, mas não por uma crise. Ele afirmou que agora o Brasil começa a "subida da ladeira" e que a expansão econômica começará a partir do terceiro trimestre. O ministro avaliou que o dólar atingiu um novo patamar, mas não está fora de controle, defendeu o ajuste fiscal e disse que houve erros e acertos no governo do PT, assim como ocorreu também nas gestões anteriores.

O titular do Planejamento salientou que a economia não é um terreno plano e que há altos e baixos. Segundo ele, não é possível administrar a política econômica sem cometer deslizes. "Creio que os acertos são muito maiores que os erros. Por isso, o projeto é vitorioso e ganhou quatro eleições."

Barbosa foi o primeiro ministro a participar de audiência após as manifestações populares do último domingo, mas passou ao largo de qualquer provocação, como a do senador tucano Álvaro Dias (PSDB-PR). "As ruas mostraram que a credibilidade do governo está no fundo do poço e o senhor não é mágico, muito menos milagreiro, para resolver problemas", ironizou o senador.

O ministro negou que o governo tenha rompido as promessas de campanha ao adotar medidas impopulares como aumento de impostos e tarifas de energia. E manteve o discurso da necessidade de aperto fiscal, para que seja feita uma economia de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano. "É um esforço fiscal possível e menor, por exemplo, do que o esforço durante a crise cambial de 1998/99", disse Barbosa, numa referência ao governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

Ao longo de toda a sua participação na audiência, por cinco horas, o ministro enfatizou em vários momentos que as correções econômicas executadas pelo governo Dilma são menores e menos traumáticas do que as do período FHC.

Inflação. Barbosa reconheceu que o ajuste pode ter "impacto restritivo" sobre a economia, mas acredita que essas medidas são importantes para a retomada do crescimento e também para levar "a inflação para o centro da meta", de 4,5%. O Banco Central, responsável por conter os preços, já mira 2016 e Barbosa também deu a entender que já considera uma taxa em 2015 acima do teto de 6,5%. Ele disse que o IPCA deve cair 2,5 pontos porcentuais em 2016, quando a inflação deve atingir 4,5%. Por essa conta, a inflação este ano ficaria em 7%.

A senadora Marta Suplicy (PT-SP) manteve o tom crítico ao governo. "Parece que todos vamos ter momentos difíceis na área econômica, mas temos condições de enfrentar. A credibilidade é que é a questão mais difícil. O problema é político, não econômico", defendeu. Já o ministro rebateu, dizendo que a "palavra-chave" do segundo governo Dilma é justamente a "construção de credibilidade". "O primeiro passo para aumentar a credibilidade é aumentar a previsibilidade, como também construir resultados."

Fora de qualquer previsão está a disparada do dólar. Para Barbosa, essa alta é fruto de um movimento global e da queda do preços das commodities. "Não é uma situação de câmbio fora de controle", garantiu, mas admitindo que houve uma mudança de nível. "Quando olhamos para uma série mais longa, observamos o câmbio de volta ao nível de 2006, também onde estava em 2000, após a crise cambial de 1999." Na próxima terça-feira, a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado receberá o presidente do BC, Alexandre Tombini, e no dia 31, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy.

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