País introjetou ideia de crescer pela educação, diz Delfim Netto

Ex-ministro da Fazenda acredita que Brasil começa a entender que a educação é o que impulsiona o crescimento; os gastos nessa área, para ele, deveriam ser considerados investimentos para o cálculo do PIB 

Gustavo Porto, da Agência Estado,

20 de setembro de 2012 | 12h25

O ex-ministro da Fazenda Antonio Delfim Netto afirmou nesta quinta-feira que "o Brasil introjetou a ideia de que só se cresce pela educação e isso já acontece de maneira silenciosa" no País. Segundo ele, que participou do seminário "O que devemos fazer já para crescer 5% pelas próximas duas décadas", realizado em São Paulo, os gastos em educação deveriam até ser considerados como investimentos para o cálculo do Produto Interno Bruto (PIB). "O produto do recurso que você colocou em educação é fruto desse investimento", defendeu.

Para Delfim, quanto menor a renda da família, maior a preocupação com a educação. "Está acabando a ideia de que é preciso padrinho para crescer e, por isso, a preocupação com a educação tem muito mais ênfase nessa faixa", afirmou. "A minha dúvida é saber se o Estado é capaz de fazer isso, com investimentos em capacitação dos educadores", disse.

No mesmo evento, o coordenador do Centro de Políticas Públicas do Insper, Naercio Aquino Menezes Filho, afirmou que os investimentos em educação são fundamentais para a busca da melhoria da produtividade, considerada um dos principais gargalos competitivos do País. "Políticas para câmbio e para produção são de curto prazo, mas, no longo prazo, o que precisamos melhorar é a educação, o que melhora a produtividade", disse.

Menezes lembra que o Brasil tem apenas 10% da população adulta em universidades, ante 40% nos Estados Unidos e na Coreia do Sul. "Nesse cenário, a produtividade do trabalhador brasileiro é cinco vezes menor que a do americano e três vezes menor que a do coreano. Com temos emprego pleno, só com educação poderemos crescer na produtividade", afirmou.

Já o sócio-presidente da PricewaterhouseCoopers (PwC), Fernando Alves, defendeu a queda nas barreiras do Brasil para a "importação" de trabalhadores capazes de suprir a demanda por profissionais em algumas categorias. "O País precisa rever essa barreira para melhorar a competitividade", disse.

Outra barreira considerada "crítica" por Alves é a progressiva privatização da educação, "que implica para as empresas a adoção de programas de educação complementar à formação profissional deficiente", afirmou.

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