Ações

Empresas de Eike disparam na bolsa após fim de recuperação judicial da OSX

País já cumpriu 25% da meta fiscal

País economizou R$ 35,5 bi em janeiro e fevereiro para pagar despesas com juros

FERNANDO NAKAGAWA, EDUARDO CUCOLO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

31 de março de 2012 | 03h08

O setor público já cumpriu 25% da meta de economia para pagamento de juros da dívida, o chamado superávit primário, neste ano. Relatório apresentado ontem pelo Banco Central mostra que União, Estados e municípios economizaram R$ 35,5 bilhões em janeiro e fevereiro, um quarto dos R$ 139,8 bilhões previstos para 2012. Esse é o maior porcentual de economia em um primeiro bimestre desde 2008. Em igual período de 2011, por exemplo, o esforço correspondeu a 20% da meta.

A retomada do crescimento mais forte da economia, com reflexo na arrecadação, e alguma moderação dos gastos públicos são apontados pelo chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, como a causa dos bons números. "O desempenho fiscal é consistente, e a perspectiva é de que, na medida em que a economia ganhe fôlego, isso se consolide", disse, ao explicar que a expansão da atividade aumenta a arrecadação de impostos, o que ajuda nas contas. "Há um quadro favorável para o cumprimento da meta no ano." Ao apresentar os dados do bimestre, Maciel avaliou que o comportamento das contas públicas voltou a ser semelhante ao visto antes da crise de 2008. Ou seja, algo mais próximo do considerado "normal" pela equipe econômica. Alguns economistas do setor privado fazem avaliação parecida.

"Algumas receitas até são pontuais e não devem se repetir ao longo do ano, mas é preciso reconhecer que há algum esforço na contenção das despesas. Não é uma queda, mas os gastos têm crescido em ritmo menor", diz o analista da Rosenberg & Associados, Rafael Bistafa. No primeiro bimestre, enquanto as receitas do governo aumentaram 14,2%, os gastos avançaram 9,5%.

Em análise semelhante, a LCA Consultores diz que o resultado reforça a aposta de que será possível cumprir a meta do ano. "Avaliamos que o governo deverá entregar um primário próximo de 3% do PIB para deixar espaço para que o BC siga cortando a taxa Selic até, pelo menos, abril", cita a consultoria em relatório. Bistafa, da Rosenberg, diz que os gastos moderados são um dos fatores que sustentam o corte da Selic. "Isso está na conta", diz.

Juros. Além das receitas em alta e das despesas em ritmo mais moderado, Tulio Maciel chamou atenção para o pagamento de juros: foram R$ 37,93 bilhões aos credores da dívida pública no bimestre, valor 1,2% menor que o visto um ano antes. "A tendência é que isso se repita. A despesa de juros em 2012 será menor que no ano passado", disse.

A queda da inflação, por exemplo, contribuiu para reduzir pela metade o pagamento de juros da dívida dos Estados e municípios no bimestre em relação ao mesmo período de 2011. A despesa de R$ 5,2 bilhões foi a menor para os dois primeiros meses do ano desde 2009. O índice que corrige o endividamento dessas esferas de governo, o IGP-DI, acumulou alta de 0,37% neste período, ante 1,95% no primeiro bimestre de 2011. A redução da a Selic também deve contribuir para diminuir o pagamento de juros para o menor patamar da série iniciada em 2011 pelo BC, 4,3% do PIB, no final do ano.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.