Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

'País já esteve em situação pior', diz Levy

Ministro pede urgência nas medidas fiscais e diz que a crise é séria, mas que não se pode achar que 'agora vai ser o desespero'

Ricardo Leopoldo e Alvaro Campos, O Estado de S.Paulo

28 Outubro 2015 | 02h02

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, pediu nessa terça urgência na aprovação das medidas de ajuste fiscal e disse que a crise é séria, mas que o País já superou outras piores. "Não podemos achar que agora vai ser o desespero. O Brasil supera", disse Levy, durante o Brazil Summit, evento realizado pela 'The Economist', em São Paulo, que teve o 'Estado' como parceiro.

De acordo com o ministro, apesar dos problemas, ainda não há uma sensação de risco como a que motivou o ajuste na virada da década de 1990. "Tem demorado um pouco mais para as pessoas se darem conta que precisamos fazer as coisas", disse. "Temos US$ 370 bilhões de reservas (internacionais). E talvez as pessoas não entendam a urgência das medidas fiscais."

Resistência. O ministro fez questão de ressaltar a resiliência da economia. "Apesar da desaceleração, a inadimplência está sob controle e o desemprego não está subindo tanto, embora obviamente tenha impacto. Não estamos vendo uma desorganização do tecido econômico e isso mostra a flexibilidade, a capacidade da economia, o potencial de recuperação."

Mas, para Levy, essa resiliência tem limites. "Seria muito arriscado entrar no próximo ano sem estar definida a fonte de recursos para financiar as despesas obrigatórias do governo."

Ajuste de Lula. Levy citou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que recentemente criticou o ministro e pediu o fim do ajuste fiscal.

O ex-presidente Lula, disse Levy, mostrou "enorme maturidade" ao promover um ajuste fiscal no início do seu governo e preparou o terreno para o crescimento da economia nos anos seguintes. "Isso é algo que nunca vai se apagar da biografia dele, de dar um rumo, abrir oportunidades para o Brasil."

Flores e subsídios. Ao ser questionado sobre os gastos da Presidência com flores e a possibilidade de reduzir as despesas de custeio do governo, Levy disse que ainda há onde cortar, mas não é nada comparado com as transferências e subsídios.

"Não acho que flores custem R$ 40 bilhões, R$ 50 bilhões, como acontece com os subsídios", disse. "Esse trabalho (cortar gastos de custeio) tem de ser feito, mas não é só isso. Não devemos tentar encontrar soluções fáceis e enganadoras."

Ele lembrou que o governo reduziu o número de ministérios e cargos comissionados. E comentou que não viu seu contracheque, mas sabe que seu salário caiu 10%. E brincou com uma foto que circulou nas redes sociais, na qual aparece dormindo em um voo comercial. "Eu aproveito a boa indústria de transporte aéreo que temos", disse, sem se referir ao caso.

Levy foi questionado sobre o que o levaria a deixar o governo, mas não respondeu. "O importante, no trabalho, é se temos sucesso em explicar para as pessoas o que estamos fazendo, porque estamos fazendo. As pessoas têm de ter confiança de que, se acertarmos o fiscal, a economia volta a crescer."

Segundo ele, o governo tem de dar uma sinalização sobre seus compromissos, não só imediatos. "Temos de dar uma sacudida na economia, porque capacidade de reação a gente tem. Já passamos por outras crises e vamos passar por essa também."

 

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