País já tem 187 milhões de celulares

Base de telefones móveis deve alcançar a marca de 200 milhões este ano e a rede ganha 1,89 milhão de novos acessos em um único mês

Karla Mendes / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

21 de agosto de 2010 | 00h00

O Brasil deve encerrar o ano com 200 milhões de celulares. A previsão é da Teleco, consultoria especializada em telecomunicações. A expectativa é que o País adicione mais 13 milhões de linhas de telefonia móvel à sua base de clientes até dezembro.

Segundo José Luis de Souza, diretor da Teleco, o Brasil fechará 2010 com uma teledensidade (número de celulares por habitante) de cerca de 103%, ou seja, mais de um celular por habitante - considerada a projeção do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de que a população brasileira em 2010 é de 192 milhões de habitantes. "O Brasil deve ultrapassar a marca de um celular por habitante já em novembro", disse.

"O Natal deste ano vai ser muito forte, nos moldes de 2008", afirmou Souza. Na análise do especialista, o poder aquisitivo da população em ascensão e a queda do preço do minuto das operadoras - motivada pela guerra de promoções entre as empresas - são os principais motores desse crescimento.

Em julho, a base de celulares no Brasil ultrapassou a marca de 187 milhões, segundo balanço divulgado ontem pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Só no mês passado foram habilitadas 1,89 milhão de novas linhas, o que elevou o número de linhas ativas no País para 187,02 milhões.

De janeiro a julho, foram habilitadas 13,06 milhões de linhas, número que, segundo a agência, só perde para os sete primeiros meses de 2008, quando o total de novas linhas chegou a 14,35 milhões. Do total de acessos, 153,77 milhões (82,22%) são pré-pagos, enquanto 33.248.379 (17,78%) são pós-pagos.

Na análise de Souza, a entrada da Vivo no Nordeste e o início das operações da Claro na Região Norte foram fatores que aceleraram as habilitações em julho. "Com ofertas agressivas, as operadoras conquistaram participação de 7% a 8% nas Regiões Norte e Nordeste", disse.

O especialista destacou também o acirramento da disputa em São Paulo - principal mercado do País - após da entrada da Oi, há cerca de um ano.

A surpresa em São Paulo, segundo Souza, foi a liderança da Claro em adições líquidas em julho. Segundo o especialista, a empresa, que vinha adotando uma postura menos agressiva, voltou a contra-atacar e vendeu mais que a Vivo em julho, alcançando a liderança no mês.

Dois chips. Outro fator que alavancou as vendas de celulares no País, segundo Souza, é o aumento das vendas de banda larga móvel e smartphones. "Muitos clientes têm mais de um chip. Ou a pessoa tem uma banda larga móvel e um smartphone, ou um celular pessoal e um corporativo, ou ainda tem vários chips para aproveitar as promoções de várias operadoras", explicou.

A Vivo permanece na liderança no mercado, com 30,25% das linhas ativas. Na vice-liderança, aparece a Claro, com 25,42% de participação. A TIM aparece na terceira posição, com 24,05% e a Oi em quarto, com 19,93%.

Desde junho, não existem mais celulares analógicos no País. Até maio, ainda havia um resquício de 509 linhas ativas, mas esse número foi zerado.

Para as operadoras, é um "alívio" a extinção do analógico. Representa um custo a menos para elas, pois as empresas não poderiam extinguir o serviço enquanto houvesse um cliente usando o sistema nem obrigá-los a migrar para outras tecnologias. E manter a rede analógica ativa significava custos. A maior parte dos celulares ativos operam com a tecnologia GSM (88,16%), 5,71% usam a tecnologia 3G, 2,85% usam a CDMA e 0,08% são TDMA, todas tecnologias digitais.

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