País não cresce mais de 3,8%, diz instituto internacional

Um relatório divulgado no domingo, 18, pelo Institute of International Finance (IIF) faz uma leitura negativa da dinâmica da economia brasileira, apesar de reconhecer alguns avanços conseguidos nos últimos anos. Além disso, projeta um crescimento do Produto Interno Bruto de 3,8% neste ano, seguido de uma desaceleração do ritmo em 2008, para 3,5%.De acordo com o estudo, o desempenho da economia brasileira no ano passado foi "desapontador" e é conseqüência de problemas estruturais, tais como deficiências nos marcos regulatórios, um mercado de trabalho rígido, ineficiência judiciária e infra-estrutura inadequada.A falta de reformas econômicas básicas, como a tributária e da Previdência Social, também é apontada como uma das barreiras para o crescimento brasileiro se tornar mais robusto do que tem sido nos últimos anos.O diretor-gerente do instituto, Charles Dallara, também não prevê um efeito duradouro dos projetos contidos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) na economia. ´No curto prazo (o impacto do PAC) pode ser significativo, mas no longo prazo deve ser mínimo. Hoje em dia, as economias não ganham altitude no longo prazo por causa do investimento estatal. Elas ganham isso por conta da produtividade, do investimento e da estabilidade financeira´, observou o economista.O relatório do IIF, que reúne cerca de 350 bancos de 60 países, também aponta que o PAC não ataca pontos fundamentais, como a redução da carga tributária, e deixa de lado a realização das reformas."Engano"O ex-ministro Antônio Delfim Netto, do PMDB, rebateu nesta segunda, o relatório divulgado pelo IIF. "Acho que eles estão enganados. Podemos crescer mais. O Brasil está numa situação um pouquinho melhor do que estava no passado. Acredito que o governo vai conseguir melhorar o nível de investimentos, o consumo interno está crescendo. Há possibilidade de um crescimento de 4% a 4,5%", afirmou. Segundo o ex-ministro, cabe ao governo acelerar "as concorrências que estão na sua mão", como a do setor hidrelétrico. "Os empresários tem que tem certeza de que não vai ter apagão", explicou. Delfim disse que para crescer mais o governo tem também que acelerar as reformas, em particular a trabalhista, e de medidas que libertem "o espírito animal" do setor privado. "A única esperança de o Brasil crescer é libertar o setor privado dos constrangimentos que ele tem. Não adianta imaginar que vai cair a carga tributária, porque não vai; não adianta imaginar que vai reduzir muito a relação dívida/PIB, porque não vai; não adianta ficar sonhando em fazer cortes profundos nas despesas do governo, porque não vão acontecer. O crescimento só pode vir de uma ampliação dos investimentos privados", acrescentou o ex-ministro. Segundo Delfim, o Brasil está "nadando em liquidez". "É preciso que o governo permita o setor privado de operar livremente e com maior segurança", reforçou.(com Luciana Xavier e Milton da Rocha Filho)

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