País não está vivendo a deflação, diz economista

Para o economista José Márcio Camargo, professor da PUC-RJ, o que está ocorrendo no Brasil não é uma deflação, mas sim um reajuste nos preços que tiveram aumentos exagerados em passado recente. Ele explicou que um caso típico de deflação é o que ocorre no Japão, em razão da recessão que experimenta a economia do país há mais de dez anos. "O caso brasileiro não é um caso de deflação", explicou o economista, em entrevista ao programa Conta Corrente, da Globo News. "O que nós vimos é que alguns preços específicos foram reduzidos neste período, mas uma grande parte dos preços continua aumentando. A inflação continua, ainda que num ritmo muito menor do que há três, quatro meses." Sucesso aparente Segundo José Márcio Camargo, isso significa que o Banco Central conseguiu, aparentemente, quebrar a espinha dorsal do processo inflacionário, que assustava os agentes econômicos. E insistiu: "O que nós estamos vendo, hoje, é a queda da taxa da inflação, não uma deflação." Para ele, quando ocorre deflação as pessoas tendem a esperar que ela continue para voltar às compras. "Na hora que você adia o seu consumo, a demanda cai e o desemprego aumenta. Ou seja, o processo deflacionário tem dentro de si um processo no qual as expectativas levam a mais deflação e mais desemprego. Então, a gente não deve torcer para um processo deflacionário. Mas não é este, felizmente, o caso do Brasil." Redução dos juros O economista da PUC-RJ considera que estão criadas as condições para a redução da taxa de juros, atualmente em 26% ao ano, em concordância portanto com o que acaba de dizer o ministro da Fazenda, Antônio Palocci.. "Mas não há espaços para fazer grandes milagres", ressalvou. E adiantou sua previsão: 21% até o final do ano. "O que significa um corte ao longo deste segundo semestre de algo em torno de 1% ao mês, em média." Manter a política Para Camargo, o ponto importante a ser ressaltado é que o corte nos juros não vai implicar necessariamente num afrouxamento da política monetária. "Como a taxa de inflação está caindo, se a taxa de juros nominal cai, você pode estar simplesmente mantendo a taxa de juros real e a taxa de juros nominal está caindo. Se você mantiver essa taxa de juros nominal em 26%, você estaria tornando a política monetária mais dura, diante da queda da taxa de inflação. Então, existe um espaço claro para a redução da taxa de juros, o que decorre do fato de que a política monetária está sendo efetiva."

Agencia Estado,

10 Julho 2003 | 07h06

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