País patina na eliminação de lixões

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País patina na eliminação de lixões

No geral, a disposição de 40% dos resíduos sólidos está inadequada

Estre Ambiental, Media Lab Estadão
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06 de novembro de 2020 | 14h37

Há pelos menos dez anos, quando entrou em vigor a Política Nacional de Resíduos Sólidos, mais da metade da população brasileira convive com os impactos socioambientais da disposição ilegal dos resíduos sólidos.

Apesar da existência de instrumentos legais para coibir a prática, pouco se avançou, segundo os debatedores do Diálogos Estadão Think, realizado em 29 de outubro, sobre as perspectivas do setor. (Confira o vídeo ao fim desta matéria)

“Ainda estamos muito longe de atingir o objetivo de eliminar os lixões”, afirma Patrícia Iglecias, presidente da Cetesb, a agência ambiental paulista. Segundo ela, os dados sobre a disposição de resíduos no Brasil indicam com clareza a assimetria que existe entre as regiões. “Em São Paulo, nós temos 97,8% de gestão adequada de resíduos, mas em outros Estados chegamos a 40% ou até mais de gestão inadequada”, afirma.

A situação dos lixões no Brasil é classificada como “tormentosa” por Fabrício Soler, consultor internacional sobre o tema. “Não dá para cogitar o fato de que estamos em 2020 e o Brasil tem 3.001 municípios  fazendo a disposição inadequada de resíduos. Ou seja, em

lixão ou aterro controlado. A gestão adequada consiste em você ter um aterro devidamente licenciado, controlado por uma agência como a Cetesb. Nem preciso falar sobre o que é um lixão porque existem várias  imagens associadas a isso. No caso do aterro controlado, desculpe a expressão, é o meia-boca, que nunca será um aterro sanitário porque não foi concebido para tanto, apesar de ele estar um passo a frente do lixão.”

O Brasil patina na eliminação por motivos como falta de fiscalização e interesse político e por causa também da falta de sustentabilidade financeira do setor, explica Julio

Volotão, CEO da Estre Ambiental, que também participou do debate online. “Deixar tudo sob responsabilidade dos municípios é um gargalo intransponível, porque o orçamento costuma não dar conta”, afirma o executivo, que classifica a situação existente no Brasil como desconfortável, seja como executivo do setor, seja como cidadão. “Houve avanços nesses últimos dez anos, quando olhamos para São Paulo, por exemplo. O mesmo não ocorreu no Norte e no Nordeste. Estamos falando de 40% de destinação errada. Trata-se de crime ambiental que tem uma relação direta com a saúde pública. Apesar de termos uma legislação robusta e sofisticada, com metas modernas e audaciosas, não temos muitos motivos para comemorar”, afirma Volotão.

De acordo com os debatedores, se o enfrentamento dos lixões envolve orçamento e postura dos gestores públicos, o desafio também deve ser dividido com a própria sociedade e com o setor privado.

“Todo o setor que trabalha com resíduos sólidos é muito importante e pode auxiliar nos avanços de que  precisamos. Quanto maior for o aproveitamento do resíduo, mais sustentabilidade o próprio setor vai atingir”, afirma Patrícia, que, além de presidente da Cetesb, é advogada de formação.

Para Soler, um dos mecanismos que pode ser mais bem desenvolvido para fazer as empresas que atuam no setor trabalharem melhor está atrelado ao caixa. “Infelizmente, existem poucos estímulos tributários e fiscais em toda a cadeia.

Muito do que ocorre hoje vai do DNA empreendedor do empresário brasileiro. Há um caminho enorme e próspero para melhorias tecnológicas que pode se abrir se ele for estimulado com instrumentos fiscais adequados” diz o consultor.

No caso da Estre Ambiental, empresa pioneira no País em implantar uma tecnologia que faz a triagem mecanizada dos resíduos sólidos antes de eles serem depositados nos aterros sanitários, as dificuldades do dia a dia, até por uma falta de escala, também se impõem. “Processamos 500 toneladas por dia com a nossa tecnologia que faz a separação mecanizada dos resíduos. Ocorre a separação do plástico, do tetra pak, do metal e do papelão, além da fração que vai compor o Combustível Derivado de Resíduos (CDR). Mas os desafios são enormes no próprio negócio em si. Há um custo relevante de energia, por exemplo, porque a planta opera 24 horas por dia. Além da questão do transporte e da própria venda dos materiais”, explica o CEO da Estre Ambiental.

Segundo Volotão, apesar dos enormes desafios e de o País avançar muito pouco, a visão dele tende a ser otimista. “Em 1979, os Estados Unidos tinham 18 mil lixões. Eles resolveram o problema em 20 anos com multas pesadíssimas e muita fiscalização. Penso que temos condições de fazer o mesmo”, diz.

Economia circular veio para ficar

Se a forma mais efetiva para diminuir o impacto dos resíduos sólidos tanto nos lixões quanto no planeta é reutilizar ao máximo as matérias-primas extraídas da natureza, conceitos como economia circular, logística reversa e reciclagem devem ser cada vez mais praticados por todos, segundo os especialistas. “A logística reversa também tem o papel de incentivar a reciclagem no País”, diz Fabrício Soler.

Mas para ele o desafio nesse segmento ainda é imenso. “Nós temos 250 marcas no mercado que fabricam pilhas, por exemplo. Mas temos 25 empresas do setor que estão pagando a conta de todos em relação à logística reversa dos produtos”, diz o especialista.

Dentro do mundo dos negócios, a economia circular é uma tendência global que não tem mais volta, segundo Julio Volotão. “Ao mesmo tempo em que no Brasil temos problemas estruturais para resolver, temos iniciativas muito louváveis de várias empresas na área da economia circular, com metas objetivas, caso de Unilever, Braskem, Nestlé e Nespresso. “São muitos desafios. Vai demorar, mas estamos no caminho certo”, acredita o executivo.

Assista o vídeo

 

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