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País pode crescer 4% ao ano nos próximos dez anos

A economia brasileira poderá crescer anualmente 4% ao longo dos próximos dez anos. Esta é a média dos prognósticos feitos por economistas de renome entrevistados para o livro "Política para a retomada do crescimento", editado pela Comissão Econômica para a América Latina (Cepal) e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Com um avanço populacional de 1,5% ao ano, o crescimento permitira um aumento da renda per capita anual em 2,5% ou de 34% no período todo.Apesar de significativo, o crescimento econômico foi considerado modesto e pouco entusiasmante. Na prática, fica abaixo dos 6% anuais sugeridos pela própria Cepal, levando em conta as necessidades do mercado de trabalho e a distância tecnológica entre o Brasil e outros países. O economista do Ipea Marcelo Lara Resende indica a necessidade da mesma taxa, como sendo mínima para o país "manter constante o hiato tecnológico, absorver o crescimento da população e eliminar o desemprego", conforme registra o livro.Para o diretor da unidade de Estudos Macroeconômicos do Ipea, Eustáquio José Reis, na próxima década o país terá um crescimento "aquém do necessário para resolver o problema do desemprego e da distribuição de renda". Ainda segundo a edição, o economista Armínio Fraga, presidente do Banco Central, argumenta que o objetivo do crescimento de longo prazo deveria ser de 5% ao ano, e que há boas condições de concretizá-lo, desde que não se cometam grandes equívocos.A primeira parte do livro resume entrevistas feitas, ao longo de 2001, com 38 economistas de tendências variadas, de Persio Arida a Paul Singer, passando por Edmar Bacha, Maílson da Nóbrega, Luciano Coutinho e Paulo Nogueira Batista. E a segunda traz artigos escritos por Delfim Netto, Luis Carlos Mendonça de Barros, Luis Carlos Bresser Pereira, Luiz Gonzaga Belluzzo e Maria Conceição Tavares e o ministro da Fazenda, Pedro Mallan.Lançado em meio à corrida eleitoral, o objetivo do livro é retomar a discussão do tema do crescimento, mantido em segundo plano nos anos 80 e 90, fortemente focados em problemas das instabilidade macroeconômica, como hiperinflação, dívida externa e déficit público, explica o economista Ricardo Bielschowsky, da Cepal. Na prática, os economistas dividiram-se em dois grandes grupos, com integrantes mais moderados ou radicais, um defendendo a liberalização da economia como fundamental para o crescimento e o outro, a participação estatal para dar suporte ao desenvolvimento.A avaliação sobre a necessidade ou não de uma política industrial para o País foi o ponto que mais dividiu os economistas. No grupo dos mais avessos ao instrumento, José Márcio Camargo argumenta que "o investimento público encerrou seu papel". No lado oposto, Paul Singer defende a necessidade de "câmaras setoriais para decidir o que fazer, de planejamento democrático, e não burocrático, de coordenar os agentes econômicos".Na parte das restrições ao crescimento, explica o responsável pela parte das entrevistas, Antônio Cláudio Sochaczewski, quase todos os economistas montaram seus cenários a partir da crítica às políticas atuais. No campo da macroeconomia, a restrição externa foi a mais apontada como obstáculo ao crescimento, junto com as restrições ao financiamento doméstico. Aqui de novo, as avaliações variaram das menos até as mais pessimistas. Outro grupo de problemas apontados está ligado a questões como as reformas trabalhistas, institucionais ou do Estado.

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