País pode perder bússola fiscal, diz ex-FMI

O superávit primário perdeu valor como indicador da situação das contas públicas brasileiras, avaliou ontem a economista Teresa Ter-Minassian, para quem o País corre o risco de "perder sua bússola fiscal", em razão das manobras contábeis que tentam manter o indicador dentro das metas oficiais.

WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

21 de setembro de 2013 | 02h15

Ex-diretora da área fiscal do Fundo Monetário Internacional (FMI), Teresa criticou a exclusão de despesas e a utilização de receitas extraordinárias para elevar valor do indicador. "O superávit primário se refere a um universo cada vez menor", afirmou.

Ao lado do ex-secretário executivo do Ministério da Fazenda Nelson Barbosa e do economista José Roberto Afonso, Teresa observou que o enfraquecimento da disciplina fiscal brasileira afeta a credibilidade do País e tem contribuído para o agravamento de cenários negativos desenhados por bancos de investimentos e agências de classificação de risco.

Formado pela diferença entre receitas e despesas governamentais, o superávit primário mostra a economia do Estado para pagar juros da dívida pública e é uma indicação da trajetória futura do endividamento.

Na avaliação da economista, um dos maiores problemas na estrutura fiscal brasileira é a crescente disparidade entre as dívidas líquida e bruta do setor público. Enquanto a primeira está em rota descendente, a segunda cresce em razão do custo bancado pelo Tesouro para canalizar recursos à expansão do crédito de bancos estatais.

"Evitar essas operações tem de ser uma prioridade da política econômica", sugeriu. Pouco antes, Barbosa havia defendido a necessidade de redução gradual da política de estímulo à economia por meio de financiamentos do BNDES. / C.T.

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