País pode receber até US$ 380 bi

Volume é quase o dobro do que estrangeiros investem em títulos de dívida, segundo a RC Consultores

Renée Pereira, O Estadao de S.Paulo

30 de maio de 2008 | 00h00

O volume de investimento em ativos brasileiros poderá dobrar com a nova promoção dada ao País ontem pela agência de classificação de risco Fitch Ratings. Cálculos da RC Consultores mostram que o potencial de recursos a ser alocados em títulos de dívida no Brasil pode atingir US$ 380 bilhões, ante os US$ 200 bilhões atuais. Os números não incluem, porém, o mercado acionário, bastante especulativo e de curto prazo.Segundo a RC, o estoque financeiro mundial está estimado em US$ 120 trilhões, e um terço desse montante (US$ 40 trilhões) são de fundos de investimento e fundos de pensão. Desse montante, 95% (US$ 38 trilhões) são alocados em países com grau de investimento e os outros 5% (US$ 2 trilhões), em nações sem a classificação de risco. Antes dos ratings, os títulos brasileiros recebiam cerca de US$ 200 bilhões.Agora o País muda de grupo e passa a ter acesso a uma parcela dos US$ 38 trilhões. "Se conseguir melhorar ainda mais seu rating na escala de investment grade, o Brasil teria capacidade de abocanhar até 2% desse volume. Tudo dependerá dos avanços daqui para frente", destaca o economista-chefe da RC Consultores, Marcel Pereira. Segundo ele, o mercado acionário também será beneficiado pelo segundo grau de investimento do País, mas em escala menor.Com a chancela de duas importantes agências de ratings, o investidor estrangeiro começa a ter mais segurança para pôr seu dinheiro em ativos brasileiros. Além disso, muitos fundos de pensão têm em seus estatutos regras que determinam a alocação de recursos apenas em países com grau de investimento de duas ou mais agências de ratings, diz o economista da LCA Consultores, Francisco Pessoa Faria Júnior. Para esse grupo de investidores, o Brasil agora passa a ser um destino importante. "O dinheiro será injetado tanto em títulos públicos de longo prazo como em ações, especialmente em setores como construção civil, onde o horizonte de investimento também é de longo prazo." A melhora na nota, diz ele, também permitirá taxa de juros de equilíbrio (que permite o crescimento do País sem inflação) menor, já que o País deverá atrair mais investimento estrangeiro.Outro economista da RC Consultores, Fábio Silveira, acrescenta que o segundo grau de investimento chega num momento especial do mercado mundial. Com o declínio da economia americana e resultados negativos no mercado acionário, os investidores têm de procurar alternativas para aplicar seu dinheiro e ter rentabilidade diferenciada. "O País tem crescido com uma taxa de juros ainda muito elevada. É a noiva que os investidores estavam procurando." Isso significa que os aplicadores podem ganhar tanto em títulos públicos como em ações de empresas, cujos resultados têm sido positivos diante da expansão econômica.A preocupação, no entanto, é o comportamento do câmbio. A expectativa é que uma entrada maior de recursos estrangeiros no País pressione ainda mais a valorização do real ante o dólar. A LCA, por exemplo, acredita que o dólar chegue ao fim do ano a R$ 1,60. Os economistas da RC apostam na manutenção da atual cotação, em torno de R$ 1,65.NÚMEROSUS$ 120 trilhõesé o estoque financeiro no mercado mundialUS$ 40 trilhõesé o volume de recursos dos fundos de pensãoUS$ 38 trilhõesé o volume de recursos destinados aos países com grau de investimento para alocar em títulos de dívida

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