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País pode ter déficit cambial este ano

O Brasil viu US$ 2,1 bilhões evaporarem na primeira semana de setembro por meio de operações registradas pelo Banco Central (BC). Esta foi a quinta baixa mensal consecutiva na quantidade de dólares que circula no País e ajudou o saldo acumulado no ano a ficar praticamente zerado. Se continuar nessa trajetória de saldos negativos, o Brasil voltará a ver seu fluxo cambial fechar um ano no vermelho pela primeira vez desde 2008, auge da crise financeira internacional.

CÉLIA FROUFE / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

12 de setembro de 2013 | 02h08

A saída de recursos nesse montante em apenas cinco dias úteis chamou atenção ontem porque, no fechamento de agosto, o BC já tinha registrado o maior envio de dólares para o exterior do ano e o pior resultado para esse mês desde 1998, quando ainda vigorava no País o sistema de câmbio fixo. No mês passado, o resultado ficou negativo em US$ 5,9 bilhões e, em 1998, em US$ 11,7 bilhões.

O elevado montante de retiradas em um só mês levou o governo a se apressar em explicar na semana passada que não se tratava de uma fuga de capitais do País, mas, sim, reflexo de vencimento de dívidas de bancos no exterior que tinham sido feitas em 2011. Depois das explicações, o que o mercado esperava para os primeiros dados de setembro, eram números mais baixos.

"Lógico que, diante da volatilidade registrada pelo real em relação ao dólar recentemente, a primeira impressão do número é ruim", relatou o economista-chefe do Besi Brasil, Jankiel Santos. "Porém, o fato de a saída ter sido praticamente toda relacionada ao segmento comercial traz algum alívio."

Importações. Essa ponderação foi feita porque, do resultado negativo de US$ 2,1 bilhões de 2 a 6 de setembro, US$ 2 bilhões foram da área comercial e apenas o restante do setor financeiro especificamente. Quando há fuga de capitais, os primeiros sinais costumam vir justamente do mercado financeiro, já que os contratos de exportação e importação têm duração maior.

Um experiente operador de tesouraria de um banco afirmou que, apesar de surpreendente em um primeiro momento, o dado não influenciou as cotações do dólar ao longo do dia porque não há realmente a avaliação de que investidores estejam abandonando o Brasil.

"A proximidade do fim de ano normalmente eleva o volume de importações no começo do segundo semestre", disse, justificando a piora da conta comercial. /COLABOROU SILVANA ROCHA

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