País pode ter menor juro dos últimos 30 anos

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse nesta quinta-feira, em entrevista à Radio Nacional e um pool de emissoras de rádio de todo o País, que, se o Comitê de Política Monetária (Copom) confirmar a expectativa do mercado e reduzir a taxa básica de juros, a Selic, em meio ponto porcentual, o Brasil terá o juro básico mais baixo dos últimos 30 anos. Caso isso ocorra, a taxa passará dos atuais 15,25% anuais para 14,75% ao ano. A previsão será comprovada, ou não, na próxima semana. Bernardo elogiou o que chamou de "postura prudente" do Banco Central na condução da política monetária porque, segundo ele, é preciso acabar com a chamada memória inflacionária que ainda existe no Brasil.Ele ponderou, entretanto que, como a inflação e as expectativas futuras para os preços estão abaixo da meta de 4,5% para o ano, o Copom tem condições de continuar com o processo de redução da taxa básica.Na entrevista, Bernardo reconheceu que, apesar de estar em queda e num nível mais baixo dos últimos tempos, os juros no Brasil ainda são altos, na comparação com outros países. Segundo ele, medidas que ataquem a estrutura tributária e gastos do governo ajudarão a reduzir essa distância com outros países. Especialmente positivoSegundo Bernardo, o Brasil vive uma combinação de fatores que "dificilmente se reúnem ao mesmo tempo". Esses fatores, segundo ele, são o crescimento econômico com geração de empregos e aumento na renda, ao mesmo tempo em que a inflação está em queda e as contas do governo estão ajustadas."A economia brasileira vive um momento especialmente positivo", afirmou, destacando o fato de que, em pleno processo eleitoral, a economia não tem sofrido abalos, como ocorreu na última eleição geral, realizada em 2002.O ministro relatou, ainda, que o bom funcionamento da economia - sobretudo o aumento no emprego - permitiu que 7 milhões de pessoas fossem alçadas à classe média. "Essa é uma notícia excepcionalmente boa. Que bom se isso acontecer todo ano", observou Bernardo, classificando a política econômica atual de bem sucedida.Apesar de comemorar os resultados, Bernardo afirmou que é importante garantir a manutenção e a melhora desse desempenho para os próximos anos. "Temos que comemorar, mas é preciso promover aperfeiçoamentos institucionais que melhorem a capacidade da economia", afirmou.

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