País pode ter novo surto inflacionário, diz analista

O ex-secretário e Política Econômica e atual diretor da Rio Bravo Investimentos, Winston Fritsch alerta que se não houver investimentos em infra-estrutura o Brasil corre o risco de sofrer uma nova escalada inflacionária. Ao participar do programa Conta Corrente, da Globonews, ele afirmou que tem ocorrido um rápido e inesperado crescimento do consumo no País, que ameaça o equilíbrio entre a oferta e a procura. "A expectativa de que haja aumento de inflação tem a ver exatamente com o problema do lado da oferta", salientou. "Se não houver investimentos em setores como o aço, setores que são intensivos em capital e infra-estrutura, certamente a política monetária vai ter de controlar o crescimento da demanda."Crescimento com estabilidade"É muito importante que o investimento deslanche como condição de manter um crescimento com estabilidade, inclusive de taxas de juros", ponderou o diretor da Rio Bravo, referindo-se a uma possível elevação da taxa básica de juros para conter a inflação. Winston Fritsch lembrou que o grande problema da política econômica de governo é o de criar a demanda e investimento, sem afetar o financiamento desse investimento a longo prazo. "Não é fácil, não", lembrou o ex-secretário de Política Econômica. "Isso exige uma série de mudanças que afetam o mercado de capital."Alongando a dívidaFritsch destacou que o governo tem justamente procurado alongar o perfil dos investimentos concedendo benefícios para esse fim: "O governo começou agora a sinalizar certas vantagens fiscais, inclusive para o alongamento de prazo", destacou. "Começou a esticar o prazo das letras do Tesouro para até cinco anos e eu acredito que eles possa continuar com essas boas políticas, frisou. "Agora, se os investimentos de longo prazo não deslancham, especialmente no setor de infraestrutura, você vai ter gargalos e o crescimento pode voltar a ser afetado, porque certamente o BC vai ter de gerenciar o crescimento de demanda muito rápido."Gargalos do crescimentoA recuperação da economia deverá resultar numa redução do superávit da balança comercial nos próximos meses. "Nós temos um ajuste externo tão fantástico que podemos nos dar ao luxo de uma redução de superávit em conta corrente, até de um pequeno déficit, ao longo de uma recuperação", concluiu Fritsch. Ele ressalvou que o maior problema seria a produção de bens que não podem ser importados. "Isso vai dar direto em maior inflação e o Banco Central certamente vai ter de usar um instrumento e ele só tem um tiro de política monetária, que é uma espécie de bomba de nêutrons", prosseguiu. "Importar mais ou menos aço, importar mais ou menos fertilizante é a natureza do jogo da economia aberta, mas eletricidade não se importa, não se importa estrada. Esse é o grande gargalo que nós temos pela frente.""Milagre" da política fiscalWinston Fritsch elogiou a política fiscal do atual governo, ponderando que é ela que tem sustentado a redução da taxa Selic nos últimos meses. "O superávit primário que se conseguiu é o que está por trás da queda da taxa de juros", garantiu. Ele afirmou também que a redução da relação dívida/PIB tornou-se praticamente imune às más notícias da área externa: "A âncora dessa taxa e juros mais baixa e estavelmente controlada pelo Banco Central é a política fiscal. É ela que explica o milagre".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.