País poderia pagar já dívida com FMI, diz ex-diretor do BC

O ex-diretor de Política Monetária do Banco Central Luiz Fernando Figueiredo disse hoje, no intervalo de seminário no BC, que considera boa a idéia de o Brasil pagar antecipadamente a dívida da ordem R$ 23 bilhões com o FMI. Figueiredo explicou que, com o fim do acordo com o Fundo, o que era reserva líquida passa a ser reserva bruta - segundo ele, não há mais a necessidade de se fazer essa diferenciação. Isso, afirma, abre espaço para que o Brasil pague sua dívida com o FMI - sobre a qual incide custo financeiro - e fique com reservas internacionais da ordem de US$ 38 bilhões a US$ 40 bilhões. "Este é um valor mais do que adequado, tendo em vista que trabalhamos com um sistema de câmbio flexível", disse Figueiredo. Já o ex-diretor de Política Econômica do BC, Ilan Goldfajn, defendeu que o Brasil pague antecipadamente apenas a parcela dos empréstimos do FMI concedidos pela linha de crédito SRF (Supplemental Reserve Facility), que tem um custo maior do que a linha tradicional do Fundo, conhecida com stand by. A SRF, segundo Goldfajn, é concedida em casos emergenciais e, por isso mesmo, tem um custo mais elevado em relação à linha de stand by. Apesar de não ter os valores exatos do tamanho da dívida mais cara com o FMI, Goldfajn disse que a maior parte do saldo devedor é composta por esta linha mais cara (SRF).O ex-presidente do Banco Central, Pérsio Arida, reconheceu que faz sentido a proposta do ex-diretor da instituição, Ilan Goldfajn de o governo aproveitar o momento e pagar parte da dívida com o FMI, com as reservas que dispõe. Ele observou, no entanto, que é preciso que o BC defina o nível confortável de reservas para o País. Ele observou que se é verdade que o pagamento da dívida diminui o passivo, também diminui o ativo. "Este é um aspecto de precaução que o Banco Central tem que analisar". O ex-ministro da Fazenda, Pedro Malan, é da mesma opinião."O Banco Central tem que avaliar e fazer as contas na ponta do lápis e ver. Eu não fiz a conta", afirmou. Indagado pela Agência Estado, o diretor de Assuntos internacionais do BC, Alexandre Schwartsman, disse que não tinha conhecimento da proposta de pagamento antecipado da dívida com o FMI e por isso não faria nenhum comentário.

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