País precisa consolidar controle da inflação, diz Meirelles

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, abriu a sua participação na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, nesta terça-feira, dando praticamente uma aula aos senadores sobre a importância do controle da inflação na economia brasileira. Ele destacou que o quadro de estabilidade de preços no País ainda precisa ser consolidado. Segundo ele a cultura inflacionária e os mecanismos de indexação formais ou informais, persistem na economia brasileira. "Apesar da queda do patamar inflacionário após a edição do Plano Real, em 1994, observamos repiques inflacionários em 1999, 2002, 2003 e em menor escala em 2004", destacou.Meirelles explicou que não há país que tenha tido experiência de alto crescimento sustentável e inflação elevada ao mesmo tempo. Ele destacou que os brasileiros têm experiência forte nesse campo, tendo vivido um dos mais longos períodos da história da humanidade, com uma inflação acima de 100%. Meirelles ressaltou que o Brasil tem uma experiência ainda curta e recente de baixa inflação. Na avaliação dele, a experiência internacional mostra que inflação baixa e estável é pré-condição para o crescimento. Ele apresentou uma tabela com dados sobre alguns países que registram a média de crescimento anual entre 1990 e 2005 e a inflação.Nessa tabela, o Brasil tem a média de crescimento de 2,1% do Produto Interno Bruto (PIB) nesse período, com uma inflação de 133,6%, enquanto a China cresceu em média 9,5% para uma inflaçãoo de 5,1%, Cingapura, 6,6% e inflação 1,5%. O presidente do BC afirmou ainda que no Brasil se tentou "de quase tudo" no combate à inflação. Ele citou o Plano Cruzado de congelamento de preços, e os planos Bresser, Verão, Collor, Collor l e Collor 2, com medidas heterodoxas. Numa defesa da política do Banco Central e contra os que dizem que o BC precisa ser menos ortodoxo, Meireles disse que a "heterodoxia já fracassou no Brasil".

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