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País precisa de 70% da série histórica de chuvas para evitar racionamento, diz ONS

Perspectiva para o período chuvoso, que vai até abril de 2015, indica que a situação de reservatórios apresentará melhora substancial, o que afasta a possibilidade de faltar energia

André Magnabosco, O Estado de S. Paulo

04 Dezembro 2014 | 19h02


Os dados disponíveis atualmente em relação às perspectivas para período chuvoso, que vai até abril de 2015, mostram que a situação dos reservatórios apresentará melhora substancial no período, afastando assim qualquer possibilidade de racionamento de energia no decorrer do próximo ano. Atualmente, as indicações analisadas pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) sugerem afluência equivalente a um número próximo da média de longo termo (MLT) para o período. O número considerado necessário para evitar racionamentos seria de 70%.

De acordo com o diretor geral do ONS, Hermes Chipp, um cenário com chuvas próximas a 70% da média histórica levaria o nível dos reservatórios a um patamar de 35% ao final de abril. Caso esse mesmo patamar de 70% das chuvas fosse mantido no período seco, o nível dos reservatórios chegaria a 10% em novembro, um patamar ainda considerado aceitável para garantir o abastecimento nacional às vésperas do período chuvoso.

O diretor do ONS explicou que esse cenário com nível de reservatório em 35% ao final de abril seria o pior possível para garantir que o fornecimento de 2015 seja realizado sem a necessidade de restrição ao consumo de energia. Como os números indicados pelos institutos de meteorologia mostram volumes de chuvas mais fortes, com patamares próximos a 100% da média, Chipp demonstra otimismo em relação à recuperação do nível dos reservatórios. "A maior parte da energia que entra no sistema ocorre em janeiro e fevereiro. E hoje a previsão é de que o período úmido venha dentro da normalidade. Quem dera venha dentro da normalidade", destacou Chipp.

O ritmo de chuvas dos dois primeiros meses do ano é considerado fundamental para determinar o risco de racionamento do País, por isso o diretor geral do ONS explicou que qualquer decisão mais conclusiva só pode ser tomada após o final de fevereiro. No caso de chuvas fortes, o ONS poderia analisar a possibilidade de desligar as térmicas consideradas mais onerosas a partir de março. "Se o período úmido for extremamente favorável até fevereiro, talvez seja possível retirarmos algumas térmicas a partir de março", afirmou Chipp. Caso o volume de chuvas surpreenda negativamente, poderia haver indicação da necessidade de restrição do consumo.

O ONS considera um cenário de crescimento da carga em aproximadamente 4% em 2015. O número é semelhante à carga esperada para o acumulado deste ano, que deve ficar entre 3,7% e 3,8%.

Monitoramento. Hermes Chipp afirmou ainda que o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) passará a fazer acompanhamento constante em relação ao andamento dos projetos estratégicos do setor. A atividade teve início em reunião realizada nesta quarta-feira, a qual abordou a situação da usina Teles Pires.

Localizada no rio Teles Pires, afluente do rio Tapajós, a hidrelétrica deve estar pronta para colocar a primeira turbina em operação em janeiro de 2015. A linha de transmissão responsável por escoar essa energia, porém, deve operar somente a partir do mês de abril. A usina, assim como já ocorreu com outros grandes projetos energéticos, enfrentou uma série de problemas, incluindo a concessão de licenciamento ambiental e questões fundiárias.

Chipp havia destacado pouco antes que há uma preocupação em relação à busca de alternativas para superar tais entraves. Órgãos federais, como o Ibama, por exemplo, contribuem para dificultar o cumprimento do cronograma de alguns projetos. "O comitê vai acompanhar as obras, e entrar na solução. Haverá o acionamento, a quem de direito, para solucionar a situação", afirmou Chipp, que participou nesta quinta-feira do Fórum Abastecimento 2015 - Cenários e Projeções, promovido pelo Grupo CanalEnergia, em São Paulo.

O descasamento de cronogramas envolvendo o Teles Pires em um período marcado pela falta de chuvas e dificuldade de operação de hidrelétricas se tornou um desafio a ser superado por órgãos ligados ao governo federal. Por isso, são estudadas também alternativas para mitigar a situação do ponto de vista operacional, revelou Chipp.

"Quando não se consegue colocar o sistema como previamente concebido, trabalhamos com planos B e C. Ou seja, entrar com parte do sistema para escoar o que for possível. Podemos colocar linhas novas, preliminarmente, de forma a conectar a uma subestação existente para poder escoar parte (da capacidade de geração)", disse o diretor do ONS.

A geração e escoamento de energia do Teles Pires é considerada uma das questões centrais para garantir o abastecimento de energia no Brasil em 2015, ano que continuará marcado pela necessidade de acionamento das térmicas.

O complexo do Madeira, com as usinas Santo Antônio e Jirau, também é considerado fundamental, mas neste caso Chipp não demonstra preocupações em relação a cronogramas. "A transmissão do bipolo já está operando a plena carga e colocaremos o segundo bipolo entre março e abril", destacou o executivo.

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