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País precisa de políticas claras para a agricultura

Para especialistas, logística e segurança institucional são gargalos para o crescimento do campo

Wagner G. Barreira, Especial para o Estado

20 de setembro de 2014 | 16h32

SÃO PAULO - Variação internacional do preço das commodities, surgimento de novos atores no cenário de negócios, mudanças climáticas. Nada parece ser capaz de alterar o bom desempenho da agricultura nacional nos últimos anos. Na verdade, ainda que o setor seja a mola propulsora do desempenho econômico brasileiro, a conclusão dos debates da sexta edição dos Fóruns Estadão Brasil 2018, realizada na última quinta-feira, no auditório do Insper, aponta para uma caminho: a necessidade de uma correção de rumo para que o País não perca nos próximos anos o protagonismo conquistado no cenário mundial.

“Temos um problema muito claro, a dificuldade que envolve a movimentação e o acondicionamento das safras recordes nos últimos anos”, alertou o professor especializado em logística José Vicente Caixeta Filho, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo. “Se o ‘antes da porteira’ está bom, o ‘depois da porteira’ apresenta uma série de desafios.”

A conta de Caixeta, em suas próprias palavras, é de padeiro. Se toda a safra e 200 milhões de toneladas fosse embarcada em caminhões, apenas o custo do frete bateria na casa dos R$ 12 bilhões – um impacto na receita da ordem de 6%, apenas para transportar a colheita. “Para o agronegócio, ter pelo menos 6% de sua receita comprometida com transporte é muito”, disse o professor.

Preocupação. Para Julio Cesar de Toledo Piza, presidente da BrasilAgro, companhia de capital aberto com ações no Novo Mercado, o investidor estrangeiro vê o agronegócio brasileiro com preocupação. “Deveríamos ter a ambição de ser o maior produtor do mundo”, afirmou Toledo Piza. “Mas hoje, se não houver mudanças no modo como se pensa a agricultura, todos os avanços de produtividade serão perdidos.”

Para o executivo, surgiram novos elementos no cenário do produtor agrícola que precisam ser equacionados. Temas ambientais, trabalhistas e investimentos de capital estrangeiro em terras são alguns deles. “Precisamos pensar além da produção física, medida em toneladas por hectare. Hoje há uma dificuldade imensa de continuar crescendo.”

O ex-ministro da Agricultura e coordenador do Centro de Agronegócio da Fundação Getúlio Vargas em São Paulo, Roberto Rodrigues, afirmou que o Brasil não está olhando para seu papel no mundo. Segundo o ex-ministro do governo Lula, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE)definiu que a oferta de alimentos deve crescer 20% até 2020 – e para isso a produção do Brasil precisa subir 40%.

“Podemos aumentar em 40%? Não, porque não temos uma estratégia definida, não temos acordos bilaterais e não podemos fazer tratados com nenhum país relevante por causa da Argentina e do Mercosul”, afirmou Rodrigues. O Brasil, de acordo com o ex-ministro, tem terras, tecnologia aplicada à agricultura tropical e gente capacitada e jovem no campo. Mas enfrenta um problema que está longe do campo. “Faltam políticas claras do governo. A segurança alimentar é a única forma para que os direitos humanos sejam atendidos”, afirmou. Rodrigues aponta o papel estratégico do Brasil: “Sem comida não há paz mundial”.

Na opinião do professor Caixeta, da Esalq, o País precisa de mais ferrovias e hidrovias. “Mas a coisa parece que não anda e o que andou esbarra em deficiências. Queremos ferrovias ‘padrão Fifa’”, disse Caixeta. “Fala-se muito em parcerias público-privadas, mas não vemos nada de concreto no agro.” Para o professor, é preciso um projeto logístico “que seja assumido pelo Estado. / COLABOROU BÁRBARA BRETANHA

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