País precisa mudar estrutura produtiva, sugere Kupfer

Para que o desenvolvimento brasileiro se sustente e seja pleno, é preciso mudar na estrutura produtiva nacional. A avaliação é do assessor da presidência do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o economista David Kupfer. "Essa me parece a grande lacuna no desenvolvimento brasileiro. O desenvolvimento não pode ser pensado como mero crescimento da economia, mas sim como um crescimento com mudança estrutural", declarou em palestra no "Strategy Execution Summit 2012", na tarde desta quinta-feira, na Câmara Americana de Comércio, na capital paulista.

BEATRIZ BULLA, Agencia Estado

28 de junho de 2012 | 20h05

De acordo com Kupfer, a mudança exige que setores que geram mais renda cresçam mais do que outros. "É necessário que se abram oportunidades para tirar as pessoas que trabalham em uma ocupação que gera pouca renda e levá-las para uma ocupação de maior sofisticação", afirmou o assessor do BNDES. Ele disse ainda que o Brasil tem melhorado mas não consegue fazer com que os melhores setores ganhem peso na estrutura produtiva.

Na visão dele, a solução é investir em capacidade de inovação para que as atividades de maior valor agregado cresçam de forma mais rápida. "A relação entre esforço de inovação e Produto Interno Bruto (PIB) per capita. O novo precisa ser testado e isso envolve riscos e apostas."

Kupfer afirmou que as empresas brasileiras estão ainda muito preocupadas em buscar a competitividade, mas devem atentar para a geração de novas competências que, a longo prazo, geram resultados sustentáveis.

Crise será duradoura

O economista prevê que a crise internacional será duradoura. "Não vai ser uma crise de três ou cinco anos, mas de uma década ou mais. Ao final dela, teremos um mundo radicalmente diferente." De acordo com Kupfer, a crise financeira acelera a queima dos ativos em todo o mundo que estão se tornando "obsoletos". O conceito de ativo, para ele, abrange práticas de negócios, qualificação profissional e geografia de produção, entre outros. "Os ativos novos ainda não estão consolidados e estamos num grau de incerteza muito grande. Parece que a incerteza vai ser mais duradoura do que em outras fase críticas."

Ele disse ainda que, enquanto há um desencontro entre os novos e os velhos ativos, a disposição para testar o novo vai "ser a chave da sobrevivência" tanto para os negócios como para as economias.

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