País precisa vencer etapas para entrar no Mercosul

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, deixou claro, nesta segunda-feira, em entrevista com o chanceler do México, Luiz Ernesto Derbez, que o país que quiser ingressar no Mercosul, terá que superar determinadas etapas para tornar-se membro associado do bloco assim como hoje são o Chile, a Bolívia, o Peru, a Colômbia e o Equador.A posição básica é que cada país que deseje essa qualificação tenha uma área de livre comércio com o Mercosul. O México, atualmente, possui acordo com cada um dos quatro sócios do bloco, mas não com o Mercosul, no conjunto. O ministro mexicano reconheceu que seu país teve uma visão equivocada, durante cerca de 15 anos, ao concentrar-se mais nas relações com os Estados Unidos e outros parceiros do Norte. Derbez lembrou que desde o início do governo de Vicente Fox, seu país impulsionou um programa de internalização na América Central. Firmou acordo com Honduras, El Salvador e Guatemala, com os países do Caribe e também voltou-se para o Mercosul e a comunidade andina. Na lógica mexicana, o resultado final dessas iniciativas deve ser a integração da América Latina.Reforma na ONUPela primeira vez, nos últimos três anos, Brasil e México aproximaram as suas posições em relação a reforma do Conselho de Segurança da ONU. Derbez disse que seu país defende a inclusão no Conselho de Segurança de um representante da América Latina, como membro permanente. Ele ressaltou que o México não impõe nenhuma ressalva à possibilidade de o Brasil ocupar essa posição de forma contínua, por meio de sucessivas reeleições na região. Segundo ele, a inclusão de um representante regional tornaria esse país mais protegido contra pressões de membros mais poderosos. "Essa fórmula seria mais saudável. Gostaríamos que essa seja a posição a ser definida na reforma do Conselho", disse Derbez. "Mas não teríamos nenhuma ressalva ao Brasil", concluiu. Para Amorim, as diferenças de posições entre México e Brasil sobre o tema são muito sutis. Ele reafirmou, entretanto, que a posição brasileira está embasada na carta das Nações Unidas, que prevê "nações unidas e não regiões unidas". Segundo Amorim, o mundo tende a passar a transitar de um conceito de nações para um conceito de regiões e o Brasil não teria problema de assimilar essa tendência. Ele ressaltou, no entanto, que a reforma no Conselho e Segurança da ONU é urgente e não poderia ser postergada por causa da revisão da carta das Nações Unidas. "Se o Brasil for escolhido, não vou colocar uma plaquinha e dizer que a posição que assumiremos será exclusivamente nacional. Definiremos sempre as nossas posições ouvindo a América Latina e o Caribe", afirmou.

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