País produzirá este ano menos aço do que se previa, diz entidade

Instituto Aço Brasil atribui fabricação inferior às projeções do início de 2011 à concorrência com os importados

GLAUBER GONÇALVES / RIO, O Estado de S.Paulo

30 de novembro de 2011 | 03h06

O Instituto Aço Brasil (IABr) encerra 2011 com uma previsão para a produção de aço no País 11,7% menor do que a que era estimada no início do ano. Serão 35,3 milhões de toneladas, ante expectativa inicial de 39,4 milhões. A justificativa da segunda revisão para baixo ao longo do ano é o volume de importações, que, apesar de ter recuado ante o de 2010, continua elevado.

Também foram revistas para baixo as estimativas de exportações e de consumo aparente. "Ainda que tenhamos uma queda significativa das importações, elas estão acima do que vinha sendo praticado historicamente", disse o presidente do IABr, Marco Polo de Mello Lopes. As importações de produtos siderúrgicos devem atingir 3,6 milhões de toneladas, queda de 37,9% ante 2010.

Se contabilizada também a importação indireta, referente ao aço contido em bens comprados de outros países, esse número vai para 8,5 milhões de toneladas. Os setores de máquinas e equipamentos e o de carros, veículos comerciais e autopeças respondem por 80% das importações indiretas.

Segundo Lopes, com o dólar em baixa, a guerra fiscal entre os Estados incentivou as importações. Houve excesso de oferta e as siderúrgicas brasileiras tiveram de "sacrificar" as margens para combater o avanço das concorrentes estrangeiras. "Esses resultados foram obtidos com o sacrifício das empresas, que tiveram de enfrentar concorrência predatória (de importados)."

O presidente do IABr reagiu negativamente aos contínuos burburinhos do mercado sobre uma possível guinada da Vale em direção à produção de aço. "Sob a ótica econômica, não há justificativa."

"Se comparar o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da mineração com o da siderurgia, não há nada que justifique a entrada da Vale no segmento de aço."

Ele lembrou o excesso de capacidade no País e avaliou que o momento não é propício para grandes investimentos. Mas não descartou que interesses estratégicos levem a Vale a apostar mais em aço.

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