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País se torna auto-suficiente ''''de fato'''', diz economista

Se confirmadas as projeções de reservas da jazida descoberta pela Petrobrás no campo de Tupi, o Brasil passará a ser auto-suficiente de fato em petróleo. Hoje, nossa auto-suficiência é apenas aritmética, diz o economista Fábio Silveira, sócio-diretor da RC Consultores. Boa parte do petróleo brasileiro é do tipo pesado e não atende às necessidades de consumo doméstico, pois dele se extrai pouco óleo diesel. O País é obrigado a exportar o petróleo pesado com desconto e importar óleo leve para auxiliar no refino. O resultado é que a balança comercial do petróleo é negativa em cerca de US$ 5 bilhões. "A partir dessa nova reserva, vamos ter condições de produzir diesel em quantidade suficiente para o consumo e poupar de US$ 4 bilhões a US$ 5 bilhões por ano, o que é positivo para o equilíbrio externo do País", disse Silveira.Pelas atuais reservas, contabilmente, o Brasil tem auto-suficiência pelo menos até o ano de 2012. "Certamente, as novas reservas darão mais tempo para o Brasil usufruir dessa auto-suficiência", informou ontem um analista de petróleo do Banif, que não quis se identificar.O alongamento desse prazo não foi calculado, mas pode superar o horizonte de 2020. Para Nelson Rodrigues de Matos, analista do Banco do Brasil Investimentos, além de manter por mais tempo a auto-suficiência, a descoberta de óleo leve vai mudar o mix de reservas do Brasil.O País poderá reduzir as importações de petróleo leve e usar a produção nacional. Até o segundo trimestre, a Petrobrás importou em média 410 mil barris por dia, cerca de 20% do volume refinado. O parque de refino brasileiro foi montado para processar o óleo pesado. "O Brasil pode reduzir a importação de óleo leve e usar o nacional para fazer a mistura necessária para o refino", diz Matos. " É mais uma economia que o País pode fazer."Para os analistas do Banif, novas perfurações na chamada camada pré-sal na plataforma marítima brasileira podem ainda revelar novos grandes volumes de óleo leve. "Isso deve continuar a ser anunciado nos próximos três a quatro anos", diz um analista.O professor Paulo Fleury, do instituto Coppead da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), observa que a descoberta das reservas na camada pré-sal abrem uma janela de oportunidade para o País. "Não se trata de descobrir mais petróleo no mesmo tipo de solo, e sim de outro tipo, o que é de enorme importância".Para o diretor vice-presidente da Comgás, Sérgio Luiz da Silva, a confirmação deste megarreservatório de petróleo deve consolidar a auto-suficiência em petróleo e pode ajudar, segundo ele, a levar o Brasil à autonomia na produção de gás natural. "Já temos a auto-suficiência em petróleo. Precisamos caminhar para obtermos a auto-suficiência também em gás", diz. Hoje, metade do gás consumido pelo País é importada da Bolívia.

Marcelo Rehder e Agnaldo Brito, O Estadao de S.Paulo

09 de novembro de 2007 | 00h00

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