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País se tornou peça-chave na Rodada Doha

Para Itamaraty, ser uma potência agrícola e ter diplomacia multilateral contaram pontos

Denise Chrispim Marin, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

07 de julho de 2030 | 00h00

A Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC) trouxe ao centro da cena um curioso protagonista, o Brasil. Antes titular de papéis secundários, a delegação brasileira foi alçada a círculos mais restritos aos pesos pesados de Genebra ao longo do atual processo de negociação.O Brasil tornou-se uma das peças-chave da Rodada, ao lado dos Estados Unidos, da União Européia e mesmo da Índia, graças ao investimento do Itamaraty na diplomacia multilateral, ao seu mercado ainda cercado de protecionismo e a sua condição de potência agrícola.Em todas as oito rodadas anteriores de comércio, o Brasil notabilizou-se como um parceiro a ser consultado. Foi convidado para as reuniões decisivas de um pequeno grupo de países que, no final das contas, respaldavam os acertos entre Bruxelas e Washington. Em nenhuma ocasião, a delegação brasileira contou com força suficiente para se contrapor a essas articulações dos dois pesos pesados. O Itamaraty, entretanto, não atribui a mudança nesse perfil exclusivamente à gula estrangeira em relação ao Brasil.Prefere atribuir esse novo perfil à formação de uma frente de economias em desenvolvimento para a negociação, conjunta, do capítulo agrícola da Rodada Doha. A discussão direta entre Brasil, Índia, EUA e União Européia - o chamado G-4 - deve-se à estruturação do G-20, de acordo com essa versão. O País atuou, portanto, como defensor de uma proposta comum de 22 economias, entre importadoras líquidas de produtos agrícolas e dinâmicos exportadores do setor.O professor Marcelo de Paiva Abreu, da PUC do Rio de Janeiro, discorda dessa avaliação oficial. Para ele, o Brasil participou das articulações mais finas da Rodada Doha porque tem um mercado de 180 milhões de potenciais consumidores e diplomatas hábeis. "O Brasil foi às reuniões do G-4 e levou pedradas de todos os lados. Não representava o G-20, que está infiltrado por países em desenvolvimento protecionistas na agricultura", diz. "Foi um erro. O Brasil apostou demais no G-20." Para o professor, a única função louvável do G-20 foi impedir que os EUA e a União Européia se componham na área agrícola e empurrem um acordo goela abaixo dos outros 148 membros da OMC.

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