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País sedia olimpíada das profissões

Nesta semana, o Anhembi, em São Paulo, foi tomado por uma olimpíada. Barras, pistas, redes e cestas, no entanto, deram lugar a máquinas, tijolos, robôs, fornos e secadores de cabelo. Mais de mil jovens de 62 países disputaram, de quarta a sábado, a WorldSkills - maior competição de educação profissional no mundo, sediada pela primeira vez na América Latina. O evento, além de premiar os melhores em ocupações técnicas da indústria e do setor de serviços, tem o objetivo de destacar a importância do ensino profissionalizante para o ingresso do jovem no mercado de trabalho, além de catalisar a produtividade do país.

Anna Carolina Papp, O Estado de S.Paulo

15 de agosto de 2015 | 02h03

Competidores de 16 a 22 anos tinham de fazer provas meticulosas referentes ao dia a dia da profissão em que se especializaram, dentro dos prazos e padrões internacionais de qualidade. Ao passear pelos labirintos do espaço, era possível ver jovens desenvolvendo sistemas automatizados, levantando paredes, soldando peças, assando pães, costurando roupas. Todos eles passaram por cursos de formação profissional em seus países, incluindo os 56 brasileiros, formados em cursos do Senai e do Senac.

Um deles é o catarinense Eduardo Kruczkievicz, de 19 anos. "Estou confiante, pois treinei muito. Sempre fui muito competitivo." Ele competiu na ocupação tornearia a CNC, e tinha, em três horas, de produzir peças e componentes metálicos utilizando um software. Em 2010, Kruczkievicz fez um curso de mecânica de usinagem e, depois, um curso técnico em eletromecânica no Senai. "Na minha família tem bastante mecânico, mas na área automotiva. Eu descobri a minha área mais tarde, com o curso."

Natã Barbosa, de 23 anos, também viu no curso técnico uma oportunidade para se encontrar. "A minha curiosidade veio desde cedo, porque desde criança eu já mexia no computador, fazia site para amigo. O curso técnico me ajudou a descobrir em qual área de tecnologia da informação eu gostaria de trabalhar", conta.

Na edição anterior da WorldSkills, em 2011, realizada em Londres, ele ganhou ouro na categoria webdesign. "A competição é uma experiência única Aprendi muito sobre outras culturas", diz. Nesta edição, não pôde mais participar, mas nem por isso sossegou: organizou um hackathon - maratona hacker que tem por objetivo criar ferramentas digitais úteis com o cruzamento de bases de dados. "Queremos utilizar tecnologia para discutir e resolver problemas sociais."

Competitividade. Para Rafael Lucchesi, diretor-geral do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), o Brasil tem avançado na valorização do ensino profissionalizante, porém ainda está muito longe da referência internacional. "A educação profissional é chave na competitividade dos países desenvolvidos, que têm investido cada vez mais pesado nisso, principalmente depois da crise de 2008."

Segundo o Centro Europeu para o Desenvolvimento da Educação Profissional, em 2010, metade dos estudantes do ensino secundário dos países da União Europeia, em média, também estavam matriculados na educação profissional. Na Alemanha, essa taxa é de 52%; na Finlândia, 69%. Na Áustria, que tem o índice mais alto, 76%.

O Brasil ainda está bem aquém desses números: menos de 10% dos jovens cursam educação profissionalizante. "Em um momento de crise na economia e no emprego, não se pode abrir mão da qualificação de trabalhadores", afirma.

Lucchesi lembra ainda que menos de 20% dos jovens vão para a universidade no País. "A maior matriz de exclusão social é o sistema educacional, que é focado numa lógica academicista, tem problemas de qualidade e uma abrangência muito pequena", afirma. "Enquanto os outros países investiram pesado nisso, como a Coreia do Sul, nós tiramos um cochilo."

Para ele, o ensino profissionalizante, além de ser mais inclusivo, também pode ajudar na retomada de crescimento do País. "A educação profissional dá mais oportunidade para o jovem e também aumenta a produtividade do trabalho, o que hoje é uma deficiência no Brasil.

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