País só atingirá renda do Chile em 2017, diz FMI

A previsão do Fundo Monetário Internacional (FMI) é que o PIB per capita do Brasil alcance quase US$ 16 mil em 2017. O resultado projetado é o equivalente ao atual patamar do Chile. Atualmente, os chilenos têm uma renda média de US$ 15.453.

O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2012 | 03h07

Nos próximos anos, o PIB per capita do Brasil em dólar deverá ser puxado pelo desempenho da economia. A partir de 2013, o FMI prevê um crescimento médio anual de 4% para o Brasil.

Essa alta, por sua vez, continuará a ser sustentada pela força do mercado interno, segundo especialistas. Atualmente, somente com consumo, a classe C movimenta R$ 1 trilhão no Brasil, segundo o Datapopular. "Essa valor é a soma do PIB de Portugal, Argentina, Uruguai e Paraguai", afirma Renato Meirelles, diretor do instituto.

Essa massa de consumidores, afirma Meirelles, serve como uma defesa do País para enfrentar as crises internacionais. No ano passado, a alta do consumo das famílias foi de 4,1%, enquanto o PIB avançou 2,7%. "O Brasil cresce debaixo para cima. Todos os segmentos acima da classe C aumentam", diz.

Renda maior. A turbulência financeira que tem mexido com a saúde financeira da União Europeia e com mercados internacionais passou longe da família da dona de casa Ana Cristina Ramos Santana. Ela mora em Paraisópolis, região pobre da zona sul de São Paulo.

Há cinco meses, quando o marido dela arrumou um emprego formal, a família deixou de receber o Bolsa-Família. Prova de que a renda familiar medida na moeda brasileira cresceu num período de turbulência global. "O dinheiro da bolsa foi muito importante para a gente. Nos ajudou em épocas difíceis", diz Ana Cristina.

A família recebia o benefício do governo desde 1999, quando ele ainda se chamava Bolsa-escola. Na época, também chegava o dinheiro do Vale-gás. "Com o dinheiro, a gente conseguia ir comprando as coisas aos poucos e pagando um pouco da nossa dívida", diz a dona de casa, mãe de três filhos.

Ana Cristina veio do interior da Bahia para São Paulo no início dos ano 90. Quando chegou, sem trabalho, começou a vender peixe. "Eu morei numa cidade litorânea e entendo de peixe. Batia de porta em porta e vendia para as minhas vizinhas de São Paulo", lembra ela, que atualmente vive em uma casa construída pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional Urbano (CDHU). / L.G.G.

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