País tem de manter-se mais atrativo para o IED

Mesmo com US$ 63 bilhões de Investimento Estrangeiro Direto (IED), em 2013, o Brasil teve déficit em conta corrente de US$ 81,4 bilhões e déficit no balanço de pagamentos de US$ 5,9 bilhões. A insuficiência dos ingressos de capital para financiar o desequilíbrio já bastaria para examinar com apreensão a pesquisa da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad), segundo a qual o Brasil, em 2013, caiu duas posições no ranking das economias que mais atraem IED - do 5.º lugar para o 7.º lugar -, e poderá cair mais uma posição neste ano, em razão da instabilidade provocada pelas eleições presidenciais.

O Estado de S.Paulo

08 de fevereiro de 2014 | 02h05

Em 2013, a economia brasileira recebeu 3,9% menos investimentos do que em 2012, enquanto o fluxo mundial de investimentos aumentou 11%. Os emergentes perderam posição em relação aos desenvolvidos e receberam apenas 6% mais investimentos em relação ao ano anterior, mas, na média, ficaram em posição melhor do que o Brasil.

O total dos investimentos diretos no mundo foi de US$ 1,4 trilhão em 2013. Foi um montante substancial, correspondente a 1/3 do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, mas bem inferior ao de anos passados. Em 2007, o ano mais favorável para o IED, o fluxo total global de investimentos atingiu US$ 2 trilhões. Naquele momento, a economia norte-americana estava a pleno vapor - mas logo em seguida viria a crise das operações subprime, em 2008.

A perda de posições no ranking da Unctad tem que ver com a deterioração das contas externas brasileiras. Esta, por sua vez, tem que ver com a deterioração da situação fiscal do País. Isso é muito mais importante do que mudanças de humor de curto prazo, registradas no dia a dia do mercado de câmbio.

Em 2013, o Brasil figurou atrás dos Estados Unidos, da China, da Rússia, das Ilhas Virgens, de Hong Kong e do Canadá entre os países que mais receberam IED. O destaque foi a Rússia, que em um ano saiu do 9.º para o 3.º lugar, atraindo US$ 94 bilhões de IED.

Entre 2008 e 2013, os países da Ásia, do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e o Mercosul saíram-se bem, dobrando a participação entre os receptores de IED. Captaram US$ 759 bilhões em 2013, nessa modalidade. Mas em hora de perda de confiança local e de recuperação da economia americana, que atrai mais capital, a situação brasileira poderá se alterar, para pior. O País corre o risco de ficar para trás - e perder capitais preciosos.

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