País tem déficit de US$ 6 bilhões na conta corrente em julho

Na avaliação do Banco Central, melhora do déficit em conta corrente ocorreu principalmente em função do resultado positivo da balança comercial

Célia Froufe e Victor Martins, Agência Estado

22 de agosto de 2014 | 10h39

BRASÍLIA - Em julho, o País registrou mais saídas do que ingressos de recursos, tendo assim mais um mês de déficit na conta corrente. Segundo o Banco Central, o saldo foi negativo em US$ 6 bilhões. No acumulado do ano, o déficit soma US$ 49,3 bilhões, que representa 3,74% do Produto Interno Bruto (PIB).

O resultado ficou dentro das previsões coletadas pela Agência Estado, que iam de um saldo negativo de US$ 5 bilhões a US$ 6,6 bilhões. A previsão do Banco Central era de um saldo negativo de US$ 6,7 bilhões.

O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Túlio Maciel, avaliou o resultado das contas externas em julho como favoráveis. Segundo ele, o déficit do mês é "substancialmente melhor" que o registrado em igual período do ano passado. O número do mês, quando a comparado a julho de 2013, é 32,90% menor.

No acumulado dos últimos 12 meses até julho de 2014, o saldo da conta corrente está negativo está em US$ 78,4 bilhões, o equivalente a 3,45% do Produto Interno Bruto (PIB).

Balança comercial. Na avaliação de Maciel, a melhora do déficit em conta corrente ocorreu principalmente em função da balança comercial. "A balança comercial foi um fator positivo em julho. A evolução dela foi positiva, em parte, pelas exportações", avaliou Maciel. "Petróleo, soja e minério de ferro tem sido relevantes na exportação", disse.

Em julho, o saldo da balança comercial foi positivo em US$ 1,6 bilhão. As exportações somaram US$ 23 bilhões, enquanto as importações foram de R$ 21,4 bilhões. A conta de serviços, que inclui o balanço de viagens, ficou negativa em US$ 4,5 bilhões. A conta de renda também ficou deficitária no mês passado, em US$ 3,2 bilhões.

Investimentos. Os Investimentos Estrangeiros Diretos (IED) somaram US$ 5,8 bilhões em julho, resultado que ficou acima dos US$ 5,2 bilhões registrados no mesmo período do ano passado.

Os aportes externos voltados ao investimento produtivo ficaram dentro das estimativas do mercado financeiro colhidas pela Agência Estado, que iam de US$ 5 bilhões a US$ 6 bilhões, com mediana de US$ 5,4 bilhões.

No acumulado do ano até o mês passado, o IED somou US$ 35,1 bilhões, o equivalente a 2,66% do PIB. No mesmo período do ano passado, o IED acumulado era de US$ 35,2 bilhões, ou 2,73% o PIB. Em 12 meses até julho, o IED está em US$ 63,9 bilhões, o que corresponde a 2,82% do PIB. A previsão do BC para o período, apresentada no mês passado, era de entradas de US$ 5,2 bilhões.

"A conta de IED continua evoluindo positivamente e veio acima da nossa projeção em julho", destacou Tulio Maciel. A estimativa da instituição era de US$ 5,2 bilhões ante resultado efetivo de US$ 5,8 bilhões. "O afluxo de investimento estrangeiro segue vindo em forma contínua e valores significativos", continuou.

Ações. O investimento estrangeiro em ações brasileiras registrou um saldo negativo de US$ 5 milhões. No mesmo período do ano passado essa conta estava positiva em US$ 269 milhões. No acumulado deste ano até julho, o saldo está em US$ 9 bilhões, bem maior do que o total de US$ 6,5 bilhões vistos em igual período do ano passado. As aplicações em ações negociadas no País concentraram todo saldo, já que as negociadas no exterior (como ADRs) registraram um saldo negativo de US$ 12 milhões.

O saldo de remessas de lucros e dividendos ficou negativo em US$ 1,1 bilhão em julho. No mesmo mês do ano passado, o resultado foi uma saída líquida de US$ 1,2 bilhão. No acumulado de 2014, o saldo está negativo em US$ 14 bilhões, ante US$ 15,3 bilhões no mesmo período de 2013.

O BC informou ainda que as despesas com juros externos somaram US$ 2,1 bilhões em julho e US$ 8,2 bilhões no acumulado do ano. Em 2013, o gasto com juros totalizou US$ 2,1 bilhões em julho e US$ 8 bilhões nos primeiros sete meses do ano.

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