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País tem menor geração de empregos formais para junho em 16 anos

Saldo líquido de emprego com carteira assinada foi de 25.363 vagas, queda de 83,9% ante o mesmo período de 2013

Francisco Carlos de Assis e Nivaldo Souza, O Estado de S. Paulo

17 de julho de 2014 | 14h41

Atualizado às 16h15

A geração de vagas formais teve forte desaceleração em junho. Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, o saldo líquido (contratações menos demissões) de emprego com carteira assinada no País foi de 25.363. O resultado é o menor para o mês desde 1998 e representa uma queda de 83,9% ante junho de 2013, na série com ajuste. 

O dado de junho do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) ficou abaixo do piso das previsões do mercado financeiro, que variavam de 40 mil a 110 mil vagas, segundo o AE Projeções. No acumulado do ano até junho, houve criação líquida de 588.671 vagas, o que fez o governo rever as previsões para 2014. 

Segundo o ministro do Trabalho e Emprego, Manoel Dias, a meta agora é gerar 1 milhão de empregos este ano. O número é menor que o apresentado no início de 2014, quando o governo previa a criação de até 1,5 milhão de postos até 31 de dezembro. Em 2013, foram gerados 1,1 milhão de vagas. 

Dias afirmou que o fraco desempenho em junho frustrou as expectativas do governo. "Esperava mais, porque não havia nenhum indicativo dessa situação", disse. "O grande fato causador da diminuição foi a indústria, que no ano ainda continua positiva", disse. 

A indústria de transformação respondeu pela maior quantidade de demissões líquidas em junho, com o fechamento de 28.553 vagas. Foi o terceiro mês consecutivo de desligamentos. Os 12 segmentos industriais pesquisados demitiram. O pior resultado foi da indústria de material para transportes (-5.542), seguido por metalúrgica (-4.161) e mecânica (-3.957).

A agricultura foi o setor que respondeu em junho pela maior geração de vagas, com 40.818 vagas. Em seguida, ficou o setor de serviços, com 31.143 postos de trabalhados gerados. 

Desaceleração. Para o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco Lima Gonçalves, a desaceleração da economia brasileira finalmente parece ter chegado ao mercado de trabalho. Segundo ele, o resultado poderia ter sido pior se não fosse um mês sazonalmente favorável às contratações no segmento da agricultura. 

"A geração de empregos na agricultura é sazonal, mas se compararmos com junho do ano passado, quando foram criados cerca de 59 mil vagas, vemos que a tendência é de leve desaceleração do emprego", disse o economista.

O lado bom de o mercado de trabalho entrar em desaceleração, segundo o economista do Fator, é que as expectativas de inflação tendem a se acomodar. "O lado ruim é que, quando isso acontece, o mercado de trabalho confirma a queda da economia", disse Lima Gonçalves, que antes da divulgação dos números do Caged esperava que o PIB fosse encerrar esse ano com crescimento de apenas 0,8%. 

O mercado de trabalho é sempre o segmento da economia a assimilar com maior morosidade os movimentos de melhora e piora da economia como um todo. Como os custos para contratação e demissão no Brasil são muito altos, as empresas demoram para abrir contratações quando a economia se aquece e demoram para demitir quando a economia entra em estágio de arrefecimento.

Recuperação. O ministro Dias, contudo, voltou a dizer que o mercado de trabalho vai se reaquecer ao longo do segundo semestre. "O mês que vem (julho, em relação a junho) já começam as encomendas para o Natal, e as contratações da indústria já visando o dia dos pais e o fim do ano", destacou.

Sobre o setor da construção civil, que demitiu 12.401 trabalhadores no mês, a terceira fase do programa Minha Casa, Minha Vida irá puxar contratações. "O novo Minha Casa, certamente, vai estimular a retomada da construção civil", confiou.

O ministro também observou que a demissão de 7.070 pessoas pelo setor do comércio deveu-se à Copa , em função do fechamento de lojas durante os jogos do Mundial. 

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