País tem menor geração de empregos formais para setembro desde 2001, aponta Caged

Saldo líquido de vagas formais ficou positivo em 123,7 mil, uma queda de 41% ante o mesmo mês de 2013, na série sem ajuste

Laís Alegretti e Bernardo Caram , O Estado de S. Paulo

15 de outubro de 2014 | 14h45

Atualizado às 21h

A criação de empregos com carteira assinada registrou em setembro o pior resultado para o mês em todo o governo petista. O saldo líquido de empregos formais gerados em setembro foi de 123,7 mil, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado nesta quarta-feira pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

Para meses de setembro, o resultado foi o mais baixo desde 2001, quando foram criados 80 mil postos de trabalho. Depois disso, a geração de emprego formal sempre superou a marca de 150 mil nos meses de setembro.

De janeiro a setembro deste ano, a criação de empregos acumula um saldo de 904,9 mil vagas. Até o fim de 2014, o governo espera chegar a 1 milhão de vagas. Mesmo considerando que em dezembro o volume de demissões é alto e o resultado do mês derruba o saldo final do ano, o ministro do Trabalho, Manoel Dias, afirmou que essa meta de criação de emprego será atingida "tranquilamente". "A previsão de geração de 1 milhão de empregos (em 2014) erra menos que Ibope e Datafolha", arriscou o ministro, em referência aos erros registrados em pesquisas eleitorais. 

No mesmo tom, o ministro, secretário-geral nacional do PDT, fez a ligação entre o debate dos presidenciáveis Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) na terça-feira: "Ela deveria falar mais ainda (sobre emprego). É o grande sucesso deste governo". A expectativa é que a candidata petista não use o dado mensal para falar de emprego, mas que continue a evidenciar a geração de emprego em todo o seu governo, que está em 5,7 milhões e deve chegar à marca de 6 milhões até o fim de 2014.

O ministro evitou comparar o resultado de setembro com o mesmo mês de outros anos e disse que não há "melhor ou pior". Confrontado com os dados, Dias apresentou uma previsão: "Setembro será pior no ano que vem, se vocês compararem com o de 2014", disse. Ao citar inflação e crescimento, Manoel Dias afirmou: "Não há nenhum número hoje no Brasil que você pode dizer que está ruim".

Em setembro, a geração de empregos foi 41,3% menor do que em igual mês de 2013, quando ficou em 211 mil vagas pela série sem ajuste. Nos dados ajustados, houve queda de 51,9% na comparação com o mesmo mês de 2013, quando o volume de vagas criadas foi de 257,6 mil.

A série sem ajuste considera apenas o envio de dados pelas empresas dentro do prazo determinado pelo governo. Após esse período há um ajuste da série histórica, quando as empregadoras enviam as informações atualizadas para o governo.

Resistência. O economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves, avalia que os dados do Caged mostram um mercado de trabalho resistente dentro do cenário macroeconômico atual. "O número é mais um sinal de que o mercado de trabalho tem uma resistência bastante grande, tendo em vista a piora de outros indicadores", afirmou. "Também é possível que ele já tenha passado pelo pior momento. É mais um mês em que a atividade vai mal, a expectativa vai mal, mas o mercado de trabalho vai bem, dando sinais de persistência", opinou.

Setores. Depois de cinco meses consecutivos em que o número de demissões superou as contratações, a indústria de transformação apresentou um saldo positivo em setembro, de 24,8 mil novas vagas de trabalho. 

O setor de serviços mais uma vez se destacou na geração de empregos. Em setembro, houve criação de 62,3 mil vagas nas área. No comércio, foram abertas 36,4 mil vagas e na construção civil, 8,4 mil novos empregos. Por outro lado, o setor que mais fechou vagas foi a agricultura, com um saldo negativo de 8,8 mil vagas. (Colaborou Flavio Leonel)

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