País tem momento econômico favorável

O economista-chefe da Unibanco Asset Management (UAM), Alexandre Mathias, entende que o País tem um dos melhores conjuntos de política econômica de sua história. A principal dúvida continua sendo a sustentabilidade ou não das contas externas no médio e longo prazo. Mathias lembra que, da década de 70 até 94, mesmo nos momentos em que a economia estava crescendo, a inflação elevada era o grande problema do País. Em 94, o Real acabou com a inflação crônica que dominou a economia por muitos anos, mas a política de câmbio quase fixo aumentou a fragilidade das contas externas.Depois da desvalorização, esses dois problemas diminuíram bastante, afirma Mathias, ressaltando a importância do esforço fiscal do governo. A adoção do câmbio flutuante acabou com a necessidade de elevar os juros a níveis estratosféricos a cada crise externa; e a política de metas inflacionárias está se mostrando eficiente no combate à inflação. A grande dúvida em relação à economia brasileira continua sendo a trajetória das contas externas. A tendência é que, nos próximos anos, o déficit em contas correntes (que inclui a balança comercial, a de serviços e as transferências unilaterais) deve ficar na casa de US$ 25 bilhões ao ano. Nos próximos dois ou três anos, a maior parte desse rombo deve ser financiada pelos investimentos diretos.No entanto, o País vai precisar gerar superávits comerciais crescentes, para diminuir o déficit em contas correntes. Mathias acredita que é possível conseguir saldos mais expressivos nos próximos anos, mas isso não vai depender apenas da recuperação dos preços das commodities. A participação do País no comércio internacional terá de aumentar.O Brasil terá de inserir-se de maneira mais competitiva nos mercados, o que deve incluir uma política de marketing mais agressiva dos seus produtos. Ele entende que o governo está encarando a necessidade de ampliar as exportações como prioridade. E, enquanto isso não ocorre, a enxurrada de dólares que o País está recebendo dá uma certa tranqüilidade em relação às contas externas.

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