Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

País tem que dobrar a curva para um caminho sustentável

Brasil deve apoiar a conservação da biodiversidade para garantir seu futuro e a sua reputação

Marina Grossi e Israel Klabin*, O Estado de S.Paulo

17 de março de 2021 | 04h00

A perda acelerada de biodiversidade é uma ameaça ao futuro. Não é à toa que o Global Risks Report, publicado a cada ano pelo Fórum Econômico Mundial, apresenta a redução da biodiversidade como o quinto maior risco global em termos de probabilidade e o quarto em impacto.

Se mantivermos o ritmo de degradação ambiental, atingiremos um ponto irreversível no qual sistemas que sustentam a vida vão colapsar. Mas temos como reverter esse processo e restaurar os sistemas naturais vitais dos quais dependem as economias, a prosperidade, nosso bem-estar e a saúde planetária.

Para contribuir para esse diálogo, o Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) e a Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS) lançam o relatório O engajamento do Brasil nas negociações da COP-15 de biodiversidade, construído a partir das contribuições de 35 pessoas, entre líderes da FBDS e do CEBDS, representantes da academia, do setor empresarial e do Ministério das Relações Exteriores.

O relatório traz recomendações para as negociações do Marco Global para Biodiversidade, reforçando o protagonismo do Brasil. As negociações, previstas para 2020 durante a Conferência das Partes (COP-15) da Convenção sobre Diversidade Biológica (CBD) na China, foram adiadas em função da pandemia.

Quando for realizada, a CBD vai discutir o novo acordo global para a conservação da biodiversidade, o uso sustentável e a repartição justa e equitativa de benefícios, denominado Marco Global para Biodiversidade Pós-2020. Ele define objetivos e metas de ação a serem alcançados até 2030 e apresenta a Visão de Biodiversidade para 2050, com aspirações para 2050. O novo marco vai substituir o Plano Estratégico para Conservação da Biodiversidade, estabelecido pela Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) da ONU para os anos de 2011 a 2020. De acordo com o relatório final da CDB, várias metas não foram alcançadas.

Portanto, é uma oportunidade para abordar as crises associadas à perda de biodiversidade que ficaram evidentes desde o surgimento da pandemia, revelando a relação entre o aumento de doenças contagiosas e o desequilíbrio ambiental. 

Para construir um acordo global justo para a biodiversidade sem esgotar os recursos planetários, é importante considerar a pluralidade de visões e o embasamento científico. O acordo deve ser discutido envolvendo governos, setor empresarial e sociedade civil organizada, de modo que seja robusto e embasado na ciência. Esse diálogo também propiciará as condições para transformar as metas do novo marco em pilares estratégicos para tomada de decisão política e dos negócios do País. Dessa forma, apontaremos nossa bússola para uma rota de conservação da biodiversidade, o uso sustentável e a repartição justa e equitativa de benefícios oriundos da natureza e chegaremos em 2050 com uma bioeconomia que propicie o desenvolvimento social e econômico com bases sustentáveis.

É imprescindível que o Brasil apoie essa agenda global para conservação e uso sustentável da biodiversidade. Estão em jogo a reputação internacional do País e a sustentabilidade de sua agricultura e indústria, além de perspectivas futuras de investimento internacional na economia brasileira e acesso de produtos brasileiros aos mercados externos.

As decisões tomadas no presente e até 2030 serão determinantes para definir se seguiremos rumo a um ponto de irreversibilidade da perda da biodiversidade ou tomaremos uma rota de transição sustentável.

*PRESIDENTE DO CONSELHO EMPRESARIAL BRASILEIRO PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL (CEBDS) E PRESIDENTE DO CONSELHO CURADOR DA FUNDAÇÃO BRASILEIRA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL (FBDS)

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