Estadão
Estadão

País tem rombo de US$ 6 bilhões nas transações correntes em julho

Os Investimentos Diretos no País foram insuficientes para cobrir o déficit nas contas externas; no acumulado dos últimos 12 meses, o saldo está negativo em US$ 89,4 bi, o que representa 4,34% do PIB

Célia Froufe e Victor Martins, O Estado de S. Paulo

25 de agosto de 2015 | 10h45

BRASÍLIA - Após um déficit de US$ 2,547 bilhões em junho, o rombo das transações correntes aumentou e somou US$ 6,163 bilhões em julho. A projeção do Banco Central para a conta corrente do mês passado era de um saldo negativo de US$ 7 bilhões. Os números já levam em conta a nova metodologia do BC para as estatísticas de Setor Externo. Com as mudanças adotadas pela instituição, a série histórica foi reduzida e há dados disponíveis somente a partir de janeiro de 2014. Anteriormente, as informações iam até 1947.

O resultado ficou próximo da mediana das estimativas de 15 participantes do levantamento realizado pela Agência Estado, negativa em US$ 6,8 bilhões. O intervalo obtido era de déficit de US$ 3,1 bilhões a US$ 8,1 bilhões. O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel, projetou para agosto um déficit de US$ 4 bilhões em transações correntes. Segundo ele, esse valor, se concretizado, confirma tendência de melhora do déficit.

Maciel salientou que o desempenho das contas externas em julho apresentou um desenho semelhante ao verificado no primeiro semestre deste ano: déficits inferiores ao iguais períodos de 2014. "Por isso, no acumulado em 12 meses, há alguma redução", constatou. Dois fatores, principalmente, explicam esse comportamento, segundo o técnico. Um deles é a movimentação da taxa de câmbio, o que faz exportações mais competitivas, e bens e serviços externo, mas onerosos. Outro é o momento da economia brasileira, que passa por com ritmo menor ante 2014. 

A balança comercial registrou um saldo positivo de US$ 2,146 bilhões em julho, enquanto a conta de serviços ficou negativa em US$ 3,336 bilhões. A conta de renda primária também ficou deficitária em US$ 5,214 bilhões. No caso da conta financeira, o resultado ficou no vermelho em US$ 5,696 bilhões.

Ao analisar os números da balança comercial, Maciel comentou que há retração das importações e das exportações no acumulado do ano. No caso de compras, a queda está em 19,4%, refletindo, segundo ele, tanto a retração no volume importado quanto nos preços. Já nas exportações, a queda é de 15,8% de janeiro a julho ante igual período do ano passado. Neste caso, a composição diferente: preços recuaram 20%, mas volume cresceu 6,6%.

No acumulado dos últimos 12 meses até julho deste ano, o saldo das transações correntes está negativo em US$ 89,358 bilhões, o que representa 4,34% do Produto Interno Bruto (PIB). No ano até o mês passado, o rombo nas contas externas soma US$ 44,094 bilhões. 

Investimento direto. Os Investimentos Diretos no País (IDP) voltaram a ser insuficientes para cobrir o rombo nas contas externas. Os recursos trazidos por estrangeiros e que são destinados para o setor produtivo somaram US$ 5,994 bilhões em julho. Maciel ponderou que há uma tendência de redução dos investimentos diretos. A parcial para IDP até 21 de agosto mostra ingressos de US$ 1,8 bilhão. Diante desse número, a projeção é de US$ 3 bilhões para agosto. 

Pelos cálculos do Banco Central, o IDP de julho ficaria em US$ 5,7 bilhões. A estimativa da autarquia foi feita com base nos números até 20 de julho, quando o País havia recebido US$ 3,6 bilhões em recursos externos. Com a mudança de metodologia, o IDP passou a ser mais volátil do que o antigo Investimento Estrangeiro Direto (IED).

No acumulado dos últimos 12 meses até julho deste ano, o saldo de IDP ficou em US$ 78,398 bilhões, o que representa 3,81% do Produto Interno Bruto (PIB). No ano até o mês passado, o ingresso de investimentos estrangeiros destinados ao setor produtivo soma US$ 36,926 bilhões.

Outros investimentos. O saldo de investimento estrangeiro em títulos de renda fixa negociados no País ficou negativo em US$ 3,022 bilhões em julho e positivo em US$ 17,978 bilhões no acumulado de 2015 até o mês passado. O saldo do ano passado foi de US$ 27,068 bilhões e a projeção do BC para 2015 é de US$ 26,5 bilhões.

O aumento da procura por esses títulos teve início em junho de 2013, quando o governo zerou o Imposto sobre Operações Financeira (IOF) sobre esse tipo de aplicação. Mais recentemente, o atual ciclo de aperto monetário aumentou o diferencial de juros entre o Brasil e o restante do mundo, tornando as aplicações brasileiras de renda fixa mais interessantes para os estrangeiros. No mês passado, no entanto, o saldo voltou a ficar negativo.

O investimento estrangeiro em ações brasileiras ficou positivo em US$ 234 milhões em julho. No ano até o mês passado, o saldo está no azul em US$ 11,045 bilhões. 

Dívida externaA estimativa do Banco Central para a dívida externa brasileira em julho é de US$ 343,221 bilhões ante US$ 345,199 de julho. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.