País tenta expandir voos internacionais

Aviação. Política de novos acordos aéreos internacionais conseguiu quase dobrar o número de voos regulares partindo do Brasil para outros países desde 2003, mas há rotas apenas para 35 países, número considerado baixo para a atração de mais turistas

Glauber Gonçalves / RIO, O Estado de S.Paulo

29 de janeiro de 2011 | 00h00

O boom na demanda por transporte aéreo internacional nos últimos anos levou o número de voos entre o Brasil e outros países a dar um salto. O crescimento tem sido impulsionado por uma política de liberalização do mercado adotada pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), marcada principalmente pelo aumento da presença de companhias estrangeiras.

Mas, se por um lado a autarquia viu o número de voos internacionais regulares partindo semanalmente do Brasil pular de 563 para 1.096 de 2003 para cá, houve pouco avanço na quantidade de países para os quais se pode voar a partir dos aeroportos nacionais em voos regulares.

A conexão do Brasil com outros países é considerada chave para a atração de visitantes durante a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016. No entanto, o País está aquém das últimas sedes desses eventos - África do Sul e China - nesse quesito, segundo dados da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês). Enquanto do Brasil pode-se viajar em voos regulares para 34 países, de terras sul-africanas há rotas para 48 e, do gigante asiático, para 57.

A perspectiva é de que haja avanços nos próximos anos, principalmente na abertura de novas rotas para a Ásia, região deficiente em ligações aéreas com o Brasil, diz Bruno Dalcolmo, superintendente de Relações Internacionais da Anac. "Devem ser destacadas as negociações com Dubai, Catar, Coreia do Sul, Hong Kong e Cingapura. Todos esses são centros de distribuição de tráfego (hubs) e potencializam a conectividade do Brasil, especialmente com o Oriente Médio e a Ásia."

Esse mercado já começou a se movimentar no ano passado, com a estreia da asiática Qatar Airlines na rota São Paulo-Doha. O diretor da companhia na América Latina, Antonio Bandeira, diz que as expectativas para o trecho são altas. "O momento de nossas novas rotas não poderia ser melhor e estamos confiantes de que entrar no mercado relativamente inexplorado da América do Sul será um sucesso", diz.

A TAM também está de olho nesse mercado. Este ano, planeja abrir escritórios em Hong Kong, Pequim e Xangai, para dar apoio ao crescimento dos negócios na região. Em um primeiro momento, a empresa não pretende ter voos próprios para esses destinos. Os escritórios darão suporte ao seu crescimento com trechos operados em parceria com outras companhias.

Maior aérea do País e única brasileira a oferecer voos internacionais de longo curso, a TAM avalia como positiva a liberalização. "A abertura é inevitável e benéfica para o mercado, desde que se diminua o custo Brasil e tenhamos custos correspondentes aos das empresas estrangeiras", ressalva o vice-presidente comercial e de planejamento da TAM, Paulo Castello Branco.

Em palestra no mês passado no Rio, o presidente da Embratur, Mario Moysés, apontou a necessidade de melhoria da conectividade aérea do País como fator preponderante para o desenvolvimento do turismo internacional. Além do estabelecimento de rotas para novos países, ele destacou a necessidade de que os voos internacionais sejam espalhados por aeroportos fora do eixo Rio-São Paulo. "O desafio da distância para um turista europeu ou americano é muito forte" diz. "Passar por São Paulo (antes de ir para outro destino brasileiro) significa um aumento de horas de voo que reduz nossa competitividade."

Voos. Esse movimento de dispersão de voos internacionais para diversas regiões brasileiras já vem ocorrendo e é classificado pela Anac como um "efeito benéfico" da política de flexibilização. Hoje, é possível atingir a Europa, os EUA e outras cidades latino-americanas a partir de Belo Horizonte, Salvador, Recife, Natal, Fortaleza, Brasília e Manaus.

Para Moysés, a abertura do mercado é benéfica, apesar de acontecer na esteira do aumento do número de brasileiros que viaja para fora. "Sob o ponto de vista da Embratur, poderia parecer negativo tantos brasileiros voando para fora, mas isso também cria demanda para as companhias fornecerem mais assentos, podendo, portanto, trazer mais turistas para o Brasil."

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