País terá crescimento apesar da crise, diz Paulo Bernardo

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse esta manhã que, apesar da crise política "devastadora", que já dura 100 dias, o Brasil terá um excelente resultado de crescimento econômico este ano. "A economia está funcionando de forma absolutamente normal", disse ele. Segundo o ministro, as instituições estão funcionando com plena vitalidade e a economia segue normalmente. O ministro participou do lançamento do livro Brasil - O estado de uma Nação", trabalhado elaborado pelo Ipea, com um diagnóstico dos principais problemas do Estado brasileiro. O livro traz críticas ao padrão de ajuste fiscal adotado pelo governo brasileiro ao longo dos últimos anos, que atingiu o seu limite e precisa ser mudado. E alerta que, diante de novas turbulências externas, será difícil persistir num curso de ajuste que aumentará os problemas de competitividade da economia, prejudicará ainda mais o equilíbrio da Federação e a oferta de políticas sociais.O ministro Paulo Bernardo minimizou as críticas feitas no estudo do Ipea. Para ele, é natural a crítica, uma vez que o Ipea não é um órgão de assessoria do governo. É um órgão, destacou o ministro, que visa analisar o País , sem comprometimento de corroborar ou criticar qualquer posição governamental.Paulo Bernardo ressaltou ainda que o trabalho do Ipea será uma importante referência para quem formula políticas públicas no Brasil. "Ipea vai rever para cima previsão de PIB/2006"O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, informou há pouco que o Ipea deve revisar para cima a sua previsão para o PIB deste ano. A previsão do Ipea é de um crescimento de 2,8% do PIB para 2005.O presidente do instituto, Glauco Arbix, explicou que como os dados da indústria estão acima da expectativa, é bem possível que o Ipea aumente a sua previsão de crescimento do PIB para este ano, que hoje está em 2,8%, menor que a previsão oficial do governo, de 3,4%. Ele contou que o Ipea chegou a "levar uns puxões de orelha" por ter apresentado uma estimativa inferior à oficial. Arbix disse que o Grupo de Acompanhamento de Conjuntura do Ipea se reúne no dia 9 de setembro para analisar a possibilidade de elevação da previsão. "Não há nenhum resultado por enquanto", disse. Ele fez o comentário após a afirmação do ministro Paulo Bernardo de que o Ipea revisaria para cima a sua previsão do PIB. Paulo Bernardo, porém, preferiu desconversar a sua declaração em uma rápida entrevista. "Essa referência foi de brincadeira. Não sei se estão fazendo uma revisão", afirmou. Ele acrescentou que a divulgação do PIB trimestral pelo IBGE, amanhã, pode servir de base para as instituições fazerem uma revisão. Críticas a BerzoiniO ministro do Planejamento fez duras críticas ao candidato à presidência do PT pelo campo majoritário, Ricardo Berzoini. Para o ministro, "foi um erro de Berzoini" ter feito um ataque à política econômica do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "A política econômica tem alta credibilidade e é um dos pilares de sustentação do governo. Eu acho que o Partido dos Trabalhadores está com baixa credibilidade", afirmou o ministro, que é filiado ao PT e faz parte da chapa do campo majoritário pela qual concorre Berzoini. Paulo Bernardo disse que ficou surpreso com a idéia apresentada por Berzoini de que é preciso mudar no programa de governo as propostas de política econômica. "Isso transformaria o nosso candidato, se for o presidente Lula ou qualquer outro, em um candidato à oposição a este governo", afirmou Paulo Bernardo. E acrescentou: "Não vejo como nós podemos nos apresentar perante a sociedade numa situação como essa. Por isso, eu discordo da fala do Berzoini". Paulo Bernardo afirmou que o presidente e parlamentares têm toda a legitimidade para questionar a política econômica. Ele acrescentou que normalmente não faria qualquer comentário sobre as declarações de Berzoini que "fez as declarações num contexto de eleições internas do Partido dos trabalhadores". Destacou que decidiu se manifestar como filiado ao PT e integrante da chapa do campo majoritário.

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