País teve em 2011 o maior número de greves em 14 anos

Foram 554 paralisações no ano passado, a maior parte feita pelo setor público, segundo o Dieese

Renan Carreira, da Agência Estado,

29 de novembro de 2012 | 11h53

Os servidores públicos do País realizaram mais paralisações em 2011 do que os trabalhadores da iniciativa privada, de acordo com balanço de greves divulgado nesta quinta-feira pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). No ano passado, o número total de mobilizações no Brasil chegou a 554, alta de 24% na comparação com 2010 (446). Foi o maior volume desde 1997, quando houve 631 greves. Os servidores responderam por 58,7% das paralisações no ano passado, com 325 ocorrências. Além disso, no funcionalismo as greves tendem a durar mais - 10% delas, por exemplo, ultrapassaram 61 dias.

Já os trabalhadores da iniciativa privada cruzaram os braços 227 vezes no ano passado, respondendo por 41% do número total - as demais paralisações foram feitas em conjunto por trabalhadores das duas esferas. Em 2010, os servidores fizeram 269 mobilizações (60,3% do total), enquanto os trabalhadores da iniciativa privada realizaram 176 (39,5%). A principal reivindicação dos grevistas nos dois anos foi reajuste salarial.

O levantamento do Dieese mostrou que o número total de grevistas subiu de 1.582.746 em 2010 para 2.050.021 em 2011. No entanto, a média de trabalhadores por movimento grevista recuou de 7.294 em 2010 para 6.902 no ano passado.

Segundo o Dieese, o resultado de 2011 confirma a tendência de aumento do número de paralisações verificada a partir de 2002, ano que registrou a menor marca da primeira década dos anos 2000, com 298 ocorrências. Porém, apesar desse avanço no total de mobilizações, o Dieese revela que, tomados como referência, os anos de 1997 e 2011 delimitam um intervalo de 15 anos marcado por relativa estabilidade do número de greves.

Os dados foram extraídos do Sistema de Acompanhamento de Greves (SAG), desenvolvido e mantido pelo Dieese. As informações do SAG foram obtidas de notícias veiculadas em jornais impressos ou eletrônicos. O levantamento é feito desde 1978 e o ano recordista em greves no País foi 1989, com 1.962 ocorrências.

Mudança

Em 2011, o maior número de mobilizações foi verificado entre os servidores estaduais (145), seguidos por municipais (109) e federais (33). Em 2010, o predomínio das greves de servidores estava na área municipal (122), vindo a seguir a estadual (87) e a federal (23).

Já na iniciativa privada a maior parte das greves ocorreu entre trabalhadores da indústria tanto em 2011 quanto em 2010. Os empregados da indústria realizaram 131 paralisações no ano passado e 97 em 2010. Nos serviços, também houve um número significativo de mobilizações - de 77 em 2010 para 91 em 2011.

O número total de horas não trabalhadas subiu para 63.336 em 2011, alta de 41% na comparação com as 44.910 horas de 2010. No setor público, o total de horas paradas passou de 38.085 para 52.739 no período, avanço de 38,4%; no setor privado, o número saltou de 6.649 para 10.269, alta de 54,4%.

De acordo com o Dieese, em relação ao tempo de duração, a maior parte das greves - 55% em 2011 - durou no máximo cinco dias. Na esfera privada, as paralisações com esse período de duração atingiram 67%.

Salários

Reajuste de salário foi a principal reivindicação das paralisações em 2011. Das 325 greves de servidores, 192 (59,1%) foram para pedir reajuste salarial, motivação seguida por plano de cargos e salários ou de carreira (38,1%), condições de trabalho (27,4%), contratação (20,6%), piso salarial (19,1%), auxílio-alimentação (17,2%), melhoria nos serviços públicos (14,5%), alterações na legislação (11,7%) e isonomia salarial (8%).

Já na iniciativa privada, das 227 greves no ano passado, 110 (48,5%) reivindicaram reajuste salarial. Em seguida, os motivos foram auxílio-alimentação (41,8%), atraso de salário (19,4%), participação nos lucros e resultados (17,6%), assistência médica (17,2%), adicional de horas extras (14,5%), condições de trabalho (13,7%), piso salarial (13,7%) e redução de jornada (10,6%).

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