País teve período de maior expansão no governo Lula

Crescimento durou cinco anos e um mês, de junho de 2003 a julho de 2008, aponta levantamento

Ricardo Leopoldo, da Agência Estado,

11 de fevereiro de 2010 | 10h47

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva registrou o período de maior expansão econômica do País, que durou cinco anos e um mês, de junho de 2003 a julho de 2008. Esta é avaliação do Comitê de Datação de Ciclos Econômicos (Codace), um grupo de sete acadêmicos renomados, cujo coordenador é o ex-presidente do Banco Central Affonso Celso Pastore. De acordo com a análise, foi também no governo Lula que o Brasil registrou o menor período de recessão nos últimos 30 anos, que foi de seis meses, entre julho de 2008 e janeiro de 2009.

De acordo com o Codace, após 1994, quando o Plano Real acabou uma era de 14 anos de hiperinflação, a estabilidade de preços colaborou para melhorar a previsibilidade da economia do País e reduziu os períodos de recessão. Nestes 16 anos, a média de períodos de baixo nível de atividade ficou em 9,6 meses, marca inferior à média de 15,8 meses registrada desde 1980. Por outro lado, os ciclos de expansão apresentaram marcas muito próximas nas duas bases de comparação, pois depois da adoção do Plano Real, os períodos de alta atingiram a média de 29 meses, pouco acima dos 28,7 meses apurados nos últimos 30 anos.

O Codace apontou que desde 1980 ocorreram cinco recessões, a maior delas durou 16 meses, de outubro de 1997 a fevereiro de 1999. Nesse período, o Brasil foi afetado por algumas crises internacionais, como a do sudeste asiático e a da Rússia. A partir de setembro de 1998, contudo, os investidores internacionais perderam a confiança no regime cambial semifixo que vigorava no Brasil há três anos e fizeram um movimento especulativo contra o Real.

Isso provocou uma fuga de capitais volumosa, queda abrupta de reservas internacionais e forçou o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso a mudar o regime cambial, o que provocou a saída de Gustavo Franco da presidência do Banco Central em janeiro de 1999. Depois da mal sucedida experiência da adoção da "banda diagonal endógena", o novo presidente do BC, Francisco Lopes, deixou o cargo e o governo optou pela flutuação do câmbio, que vigora até hoje.

O Codace fez uma alteração metodológica na forma de computar os ciclos econômicos no Brasil. A apuração era feita levando em consideração trimestres, mas agora a análise é realizada em termos mensais. Ainda hoje, o professor Paulo Picchetti, da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), concederá entrevista para detalhar um pouco mais o estudo feito pelo grupo de acadêmicos. De certa forma, o Codace lembra o National Bureau of Economic Research (NBER), comitê independente formado por catedráticos nos Estados Unidos que se tornou a referência oficial para avaliar a duração dos ciclos de negócios naquele país, o que, entre outras avaliações, aponta quando começa e acaba uma recessão.

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