País vai à OMC por ajuda a empresas brasileiras na Colômbia

A pedido de Gerdau e Votorantim, governo colombiano teria adotado medidas protecionistas no setor siderúrgico

Jamil Chade, Correspondente - O Estado de S.Paulo

23 de outubro de 2013 | 02h14

GENEBRA - O Brasil pede a abertura de negociações com a Colômbia na Organização Mundial do Comércio (OMC) por conta de medidas protecionistas tomadas pelo governo de Bogotá no setor siderúrgico. O problema é que as medidas foram adotadas pelo governo colombiano para defender o lucro da Gerdau e da Votorantim, com amplos investimentos no país vizinho. Ontem, na OMC, Europa, México, Turquia e Japão atacaram os benefícios que as empresas brasileiras na Colômbia estariam recebendo.

Em Genebra, o tema entrou na agenda de uma das subcomissões da organização. Não se trata de uma disputa legal. Mas o governo brasileiro anunciou que pediu a abertura formal de consultas com o país vizinho, na esperança de reverter a barreira.

A Colômbia notificou a OMC de que iria estabelecer a salvaguarda diante da "inundação" que seu mercado estaria sofrendo de produtos estrangeiros e que estariam afetando a "indústria local". O problema é que 80% da produção dessa indústria local é de propriedade da Votorantim e da Gerdau.

"O governo brasileiro recorre com frequência a barreiras para proteger seu setor siderúrgico. Mas quando essas mesmas empresas pedem a proteção de outros Estados e que afeta o Brasil, o País julga que elas são ilegais", disse ao Estado um diplomata colombiano, falando por telefone de Bogotá.

Mecanismo. Países estão autorizados a adotar salvaguardas, cada vez que há uma inundação de seu mercado por produtos estrangeiros. Mas o governo precisa justificar a medida e provar que existe o dano real à empresa local. O que o Brasil quer dos colombianos é prova de que é a exportação brasileira que está prejudicando a indústria no país vizinho. Segundo Bogotá, as vendas brasileiras nos últimos três anos aumentaram 58% para o mercado local.

No geral, a elevação da importação de aço foi de 33%, provocando uma queda de 5% no preço do produto e diminuindo a fatia do mercado colombiano para empresas locais em 12%.

Além disso, o Brasil se queixou da falta de transparência no processo conduzido na Colômbia e quer também apresentar seus dados.

Durante o encontro de ontem, não foi apenas o Brasil que criticou as siderúrgicas brasileiras na Colômbia. A União Europeia se disse "preocupada" com o volume de investigações abertas em Bogotá sobre o setor siderúrgico e questionou os critérios usados para o processo, incluindo os cálculos de dano à indústria nacional.

México e Japão também questionaram, pedindo que suas empresas sejam escutadas antes da adoção definitiva da barreira. Peru e Turquia engrossaram as queixas.

Já o governo de Bogotá apontou que vai transmitir as críticas aos encarregados, mas voltou a insistir que a indústria estava sofrendo.

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