País vive momento histórico para investimento, diz Meirelles

Segundo presidente do BC, desafio é gerar projetos suficientes para absorver com sucesso essa demanda

Andréia Lago e Beatriz Abreu, da Agência Estado,

29 de outubro de 2007 | 16h44

A perspectiva dos investidores internacionais para o Brasil passa por um momento histórico, na avaliação do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Ele participou nesta segunda-feira, 29, em entrevista exclusiva, do Agência Estado no Ar, programa que marca a estréia da Agência Estado na programação da Rádio Eldorado.  Veja também:Ouça a entrevista com Henrique Meirelles   Segundo Meirelles, houve uma mudança importante no sentimento dos investidores em relação ao País nos últimos anos. "Nos primeiros momentos, existia uma grande preocupação com a solvência", lembrou. De acordo com o presidente do BC, na época, além das multinacionais com presença histórica no Brasil, os interessados em investir no Brasil estavam interessados apenas em títulos do governo ou em papéis privados no mercado de crédito. Após participar das reuniões do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Washington (EUA) na semana passada, Meirelles avaliou que agora os estrangeiros concentram as atenções nos investimentos em Bolsa e começam a se voltar aos segmentos de private equity e venture capital - de empresas que ainda não chegaram ao mercado de ações. "Esse é um movimento da maior importância, que mostra a aposta dos investidores no crescimento do País, não apenas na solvência", avaliou. Segundo o presidente do BC, o maior desafio do País é gerar projetos suficientes para absorver com sucesso essa demanda. Fortalecido Para Meirelles, a melhora dos fundamentos da economia brasileira fortalecem o País contra crises externas. Ele avaliou que a redução na trajetória de queda da dívida pública em relação ao Produção Interno Bruto (PIB), o aumento das reservas internacionais e a inflação na meta deverão levar o Brasil a obter o grau de investimento das agências de classificação de risco. Ele, porém, não estimou uma data para a elevação da nota do País. Ainda segundo o presidente do BC, o Brasil vem mostrando que é capaz de crescer a taxas muito superiores em relação ao passado. "Evidentemente que o investment grade pode ser acelerado não só por índices de solvência muito fortes mas também por capacidade de crescimento cada vez mais claramente demonstrada", avaliou. Meirelles considerou que o aumento do potencial de crescimento e da redução do risco formam uma combinação virtuosa. Ele destacou que a expansão brasileira é baseada na demanda doméstica, com componentes não só de consumo, como de investimento. "Portanto, é um país que oferece não só condições de crescer, mas de continuar crescendo até a taxas mais elevadas." Apesar de considerar o Brasil mais preparado para enfrentar turbulências internacionais, o presidente do BC ponderou que é preciso avaliar os impactos da crise financeira nos Estados Unidos. Para ele, as perdas no mercado subprime continuarão ainda por um bom período. Meirelles afirmou que a queda da atividade no setor de construção dos EUA leva a uma redução na demanda de vários produtos. "Ainda é cedo para saber qual será o efeito disso na economia e até que ponto haverá uma desaceleração econômica ou uma recessão", analisou.  Fundo  Meirelles afirmou ainda que os estudos para a criação de um fundo soberano pelo Brasil ainda estão no início, mas "à primeira vista" o instrumento parece útil e positivo para o País.  A intenção do governo de constituir um fundo com recursos das reservas internacionais do País foi anunciado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, e desde então vem criando polêmica no mercado. Segundo Meirelles, neste momento equipes do BC e da Fazenda trabalham juntas no assunto. "O ministro optou por anunciar o processo no início, com a minha concordância, para evitar vazamento e rumores", explicou. Segundo o presidente do BC, uma discussão mais ampla somente poderá ser feita no momento em que estiverem definidas as regras de governança e a estratégia de aplicação do fundo. Meirelles afirmou que as discussões sobre a criação do fundo soberano não interferem na administração da política cambial e das reservas pelo BC. "A administração de reservas é definida por lei complementar e continuará no BC", ressaltou.

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