País vive momento mágico na economia, diz Lula

Presidente ressalta força da economia do País e diz que crise nos EUA não afetou o 'querido Brasil'

Fausto Macedo, de O Estado de S. Paulo,

18 de março de 2008 | 18h14

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta terça-feira, 18, em Campo Grande, que o País um "momento mágico", um "momento excepcional" e que a crise bancária dos Estados Unidos não afetou o "querido Brasil". Em Campo Grande, onde deu início a obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) nas áreas de saneamento e urbanização de favelas, o presidente falou, eufórico, de uma economia fortalecida no País que governa.   "Em 1998 teve uma crise na Malásia e o Brasil quase quebra. Agora tem uma crise certamente 30 vezes mais forte do que a da Malásia, uma crise na maior economia do mundo que são os Estados Unidos. Eles já estão pensando que essa dívida vai ficar em mais de 1 trilhão de dólares e que o Estado vai ter que ajudar a resolver porque parte do sistema financeiro está quebrando e até agora não aconteceu nada com o nosso querido Brasil", disse.   "Em 2003 - prosseguiu Lula -, quando tomei posse, o Brasil tinha 30 bilhões de dólares de reserva, dos quais 16 bilhões eram do FMI. Então, a gente tinha 14 bilhões de dólares na verdade. Devolvemos para o FMI os 16 bilhões deles, pagamos o Clube de Paris e temos hoje quase 200 bilhões de dólares em reservas nesse país." Lula afirmou que hoje o Brasil "tem mais dinheiro do que (o valor) da dívida".   Ele ironizou seus críticos. "E tem gente que fala que isso é sorte do presidente. Ora, a sorte vem para quem trabalha. A sorte depende de decisões políticas, é coragem, é compromisso. O Brasil estava desacostumado a crescer. Foram 26 anos de atrofiamento da economia brasileira. Mas agora aprendemos. E não tem volta porque nossa política econômica foi baseada na seriedade e não com mágica."   O presidente citou o FMI e o milagre econômico do regime dos generais. "Passei 30 anos da minha vida gritando 'fora FMI'. Hoje não tem uma única faixa falando isso porque ele (o Fundo) foi para fora porque cumprimos com as nossas obrigações."   Ele ressaltou para uma platéia simples da Vila Popular, nas cercanias de Campo Grande, que o PAC é investimento de R$ 504 bilhões. "A última vez que o Brasil viu isso foi no tempo do Geisel (general Ernesto Geisel, presidente do Brasil nos anos 70). Mas como não tinha dinheiro tiveram que tomar emprestado. Depois veio nossa dívida externa."   "O Brasil estava desacostumado a viver bons momentos, como se fosse uma planta encruada, que não cresce", insistiu. "O Brasil teve momentos extraordinários. Eu lembro do milagre brasileiro. Eu trabalhava em uma fábrica e tinha tanto emprego nesse país que uma fábrica roubava trabalhador da outra. A gente estava de manhã na porta de uma fábrica, passava uma Kombi anunciando que tal fábrica pagava mais e o trabalhador saía de uma fila e ia para outra fila. E o que aconteceu quando terminou o milagre brasileiro? Descobrimos que quem era rico tinha ficado muito mais rico. E que tinha aumentado o número de pobres. Havia sempre uma pequena parcela que se apoderava da grande maioria daquilo que era produzido."   "Reverter essa situação não é fácil", anotou o presidente. "Mas tem que começar." Lula comparou o PAC à Muralha da China. "Imagina quando o cidadão foi colocar o primeiro tijolo na Muralha da China e, preocupado com o tamanho (da obra), ele falasse: 'ah, não vou começar porque não vai dar para fazer'. Ou seja, teve que começar. E o que é o PAC? É sem dúvida o mais bem elaborado programa de desenvolvimento que esse País já produziu. Estamos cansados de obras mal começadas e paralisadas a vida inteira sem que ninguém cobre."   Segundo Lula, no Brasil "as coisas foram feitas para não funcionar e por isso foi lançado o PAC, que não tem segredo e não tem milagre".Para o presidente, o PAC "incomoda muita gente porque possibilitou um jeito de governar melhor esse país."

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