Sergio Castro/AE
Sergio Castro/AE

País vive nova onda de carros compactos

Montadoras desenvolvem modelos mais baratos, de olho na expansão da classe C 

Cleide Silva, de O Estado de S.Paulo,

26 de outubro de 2010 | 07h39

O crescimento da classe C, principalmente da camada que está tendo acesso ao primeiro carro zero-quilômetro, levou as montadoras brasileiras a apostar em uma nova onda de carros compactos, conhecidos como "populares", que serão lançados nos próximos anos.

Responsável por mais da metade das vendas de modelos novos no País, o segmento é responsável pela construção de três novas fábricas no Brasil - da japonesa Toyota, da coreana Hyundai e da chinesa Chery. A Honda e a GM estudam entrar nesse mercado, enquanto a Volkswagen desenvolve um modelo mais barato que o Gol e a Nissan inicia a importação do March, feito no México, mas com perspectivas de produção local no futuro.

No 26.º Salão Internacional do Automóvel, que será aberto ao público amanhã no Anhembi, na zona norte de São Paulo, só o March já está exposto. Os demais modelos são projetos em fase de desenvolvimento. O modelo chega ao País em 2011 com motores 1.0 e 1.6 flex e preços na faixa de Uno, Gol e Palio, na casa dos R$ 25 mil a R$ 30 mil. "Será o primeiro popular japonês no mercado brasileiro", diz Christian Meunier, presidente da Nissan do Brasil. Dependendo do comportamento das vendas, a empresa poderá iniciar a produção na fábrica do Paraná, informa o executivo.

Thomas Schmall, presidente da Volkswagen do Brasil, afirma que o novo compacto será desenvolvido no Brasil, com participação de engenheiros alemães. "Será um carro global."

O modelo vai disputar mercado no segmento chamado de subcompactos. Hoje, o Fiat Uno é o único classificado nessa categoria, mas as asiáticas Hyundai e Chery, que estão construindo fábricas em Piracicaba e Jacareí (ambas no interior de São Paulo), também querem atuar nesse segmento.

Shozo Hasebe, presidente da Toyota, diz que o diferencial do modelo que a marca produzirá em Sorocaba (SP) será o de atender o consumidor que quer um carro barato, porém com maior espaço interno em relação aos disponíveis atualmente, e com motor mais potente do que o 1.0. "Queremos atender a essas queixas", avisa o executivo.

A GM estuda entrar nesse segmento com um carro na faixa dos R$ 20 mil. Segundo Jaime Ardila, presidente da GM na América do Sul, é um projeto para além de 2012. "Mas a empresa não pode ficar fora desse segmento", diz. De acordo com Ardila, para um projeto desses ser viável, o custo da matéria-prima não pode passar de US$ 8 mil, e o governo também teria de entrar com algum corte de custos.

A Honda também não tem ainda um projeto definido, mas não descarta atuar no segmento no futuro. "Estamos avaliando", informa o diretor-vice-presidente, Issao Mizogushi.

O mercado brasileiro, que este ano baterá recorde com cerca de 3,4 milhões de unidades, já é o quarto maior do mundo em vendas e tem recebido atenção especial das multinacionais. Só as quatro maiores montadoras instaladas no País - Fiat, Ford, General Motors e Volkswagen - vão investir R$ 22,4 bilhões até 2014.

Diante desse desempenho, as empresas estão obtendo aval das matrizes para desenvolver carros globais (que podem ser vendidos em qualquer mercado), como o compacto que a Volkswagen vai lançar nos próximos anos. A Ford, por sua vez, lançará no próximo ano o novo EcoSport, que será fabricado em outros países. "O Brasil começou a era das plataformas globais", define Marcos de Oliveira, presidente da Ford no Mercosul.

Híbridos e elétricos. O Salão também é palco para a apresentação dos carros híbridos e elétricos, a principal aposta das montadoras em mercados como Estados Unidos, Japão e Europa.

A maioria das montadoras tem modelos chamados de verdes, menos poluentes e mais econômicos, mas, por enquanto, só dois estarão disponíveis no Brasil: o Ford Fusion híbrido, que custará R$ 133,9 mil, e o Mercedes-Benz S400, vendido a R$ 450 mil. "Por enquanto nossa aposta é no flex, mas, se houver demanda, teremos produtos disponíveis em nossa plataforma global", afirma Denise Johnson, presidente da GM do Brasil. 

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