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Países andinos exportam com vantagens para a UE

A maior parte dos produtos da pauta de exportação dos países andinos entra na União Européia (UE) sem tarifa alguma. Eles são beneficiados com tratamento preferencial de acesso ao mercado europeu. "Isto acontece porque a Europa deve trabalhar em parceria na luta contra o narcotráfico", afirmou à Agência Estado o alto representante da Política Externa e de Segurança comum da UE, o espanhol Javier Solana. Para ele, o Mercosul tem uma característica diferente. "É uma unidade que quer ter uma relação equilibrada com a União Européia, de forma que haja benefício para ambos os lados". No que diz respeito às drogas ilegais, pode-se considerar que a UE seja o segundo maior consumidor da cocaína produzida nos países Andinos, depois dos Estados Unidos.Solana afirma que a UE está trabalhando com os países do Mercosul para encontrar um consenso comercial, e que a Cúpula de Madri foi importante para o processo de integração dos blocos, porque marcou uma data clara para dar um arranco às negociações. "Queremos avançar o processo o mais rápido possível, de forma recíproca, para encontrar um esquema de relações comerciais equilibradas", diz Solana.Solana acredita que, a partir desta Cúpula, ficou entendida a necessidade de os dois lados colocarem sobre a mesa propostas consistentes e comuns que sirvam a um consenso na rodada multilateral, começada em Doha, novembro passado, e com previsão de terminar em 2004."Não somos uma fortaleza protecionista, é possível diminuir os subsídios agrícolas e isso tem que ser feito. Esta é a ambição de todas essas negociações comerciais que neste momento estão em andamento. Abrir, de uma parte, o acesso aos mercados, mas também criar regras para um jogo onde todos cumpram", afirmou Solana, garantindo que os europeus querem que o acesso aos mercados seja cada vez mais fácil.Quanto as pressões internas dos países membros da UE, como a França, por exemplo, força contrária a abrir o mercado agrícola europeu, Solana afirma que as contradições fazem parte de qualquer processo e que também há dissonância entre os países do Mercosul para um acesso irrestrito aos mercados financeiros e aos mercados de seguro. O Brasil é um dos países onde o sistema financeiro não é totalmente aberto, como ambicionam os europeus.O alto representante da política externa da UE acredita que o processo de integração dos blocos é irreversível e que a Europa representa o conjunto de países mais comprometido com a ajuda ao desenvolvimento no mundo. "Gastamos 4 vezes mais do que os EUA em ajuda ao desenvolvimento", afirma Solana, numa resposta ao discurso de abertura da Cúpula feita pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, em Madri, onde criticou os países ricos, afirmando que o protecionismo está sendo usado atualmente como arma de defesa.Solana concorda com Cardoso. Disse estar impressionado com o discurso do presidente brasileiro, considerando-o "consistente e o de maior expressão, porque conseguiu fazer uma análise do mundo de hoje com grande sentido comum e com grande sentido de solidariedade. Todos devemos tomar nota".

Agencia Estado,

18 de maio de 2002 | 16h39

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